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Política

Giselle Marques defende agroecologia e mira 2º turno capitalizando votos de Lula

Pré-candidata é evangélica, casada há 25 anos, advogada e mãe de três filhas

Por Aline dos Santos | 27/04/2022 12:37
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade
Giselle Marques quer priorizar emprego, renda e comida no prato, mas sem agrotóxico. (Foto: Marcos Maluf)
Giselle Marques quer priorizar emprego, renda e comida no prato, mas sem agrotóxico. (Foto: Marcos Maluf)

Pré-candidata do PT ao governo de Mato Grosso do Sul, a advogada Giselle Marques, 54 anos, traz as bandeiras da agroecologia, apoio às mulheres arrimo de família e orçamento participativo. Numa corrida eleitoral em que o atual cenário é de cinco adversários, ela se vê no segundo turno por ser o único projeto aliado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas eleitorais para presidente.

Se no ano de 2018, auge do antipetismo, o petista Humberto Amaducci teve 10,26% dos votos para governador, a meta da pré-candidata é triplicar, alcançando os 30% e se cacifando para o segundo turno.

“Acredito que nesse pleito, em que o Lula está tão bem posicionado nas pesquisas, vamos triplicar a votação que o Humberto teve. A tendência é eu capitalizar esses 30% e chegar ao segundo turno.”

Além do antipetismo, o projeto eleitoral precisa superar o machismo (Mato Grosso do Sul nunca elegeu uma governadora). Giselle encara segundo ano consecutivo de eleição: em 2021, foi candidata à presidência da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil). Questionada sobre o que lhe move, aponta que é seu inconformismo com injustiça.

Durante a entrevista, a pré-candidata se mostra preocupada com o preço da tarifa do ônibus em Campo Grande. Ela logo esclarece saber da competência municipal sobre o tema, mas volta ao passado para explicar a razão.

Quando estudante de Direito, morava numa casa de tábuas na Capital, nos fundos de uma funerária, por ser o endereço mais perto da universidade, se livrando, desta forma, do custo do transporte. Evangélica, ela não pretende pôr Deus na campanha.

Giselle Marques é pré-candidata ao governo de MS. (Foto: Marcos Maluf)
Giselle Marques é pré-candidata ao governo de MS. (Foto: Marcos Maluf)

Em nenhum momento vou usar a minha fé para angariar votos. Acho que isso é contra a palavra de Deus, contra o bom senso e, principalmente, contra a Constituição Brasileira, que escolheu o nosso modelo de estado como estado laico.”

Giselle Marques é casada há 25 anos e tem três filhas. Nos momentos de lazer, joga beach tennis e faz aulas de piano.

Agroecologia – Professora universitária, ela defende a união entre conhecimento acadêmico e políticas públicas do governo. “Tenho me dedicado a vida toda a estudos sobre as alternativas de desenvolvimento econômico para Mato Grosso do Sul, mas que sejam sustentáveis. Hoje, nós temos o reinado do agronegócio, que está voltado para exportação, superávit na balança comercial, mas que não melhora a vida das pessoas.”

Conforme a pré-candidata, as atenções vão se voltar para a agricultura familiar, de onde vêm 70% dos alimentos servidos no prato dos brasileiros. Na entrevista, a palavra mais citada é a agroecologia. Uma das propostas é criar selo verde para premiar a produção sustentável e que cumpra a lei ambiental.

“A soja vem avançando na Serra da Bodoquena, com turvamento dos rios naquela região, em especial, os rios de Bonito. Pretendo dar prioridade ao zoneamento ecológico-econômico, que fica na gaveta. Não quero ter ele com um dos instrumentos de gestão, mas como o principal instrumento de gestão. O foco é emprego, renda e comida no prato, mas comida saudável, sem agrotóxico.”

Orçamento participativo – Conhecedora do valor atual do orçamento do Estado – R$ 18 bilhões – a advogada quer aplicar a ferramenta do orçamento participativo. A intenção é dar prioridade aos programas sociais, mas pretende chamar a sociedade para que a maioria decida sobre a divisão das prioridades.

“Uma coisa muito grave que acontece com o orçamento em Mato Grosso do Sul é que os recursos destinados à Saúde são geridos pela iniciativa privada. Isso é um erro muito grave. Viu reverter esse processo e os recursos serão geridos pelo poder público.”

Mulheres na eleição – A última eleição com candidata ao governo foi em 2002, quando o cargo foi postulado por Marisa Serrano. Vinte anos depois, Giselle se tornou pré-candidata em substituição ao ex-governador Zeca do PT, que está inelegível. Para ela, os 20 anos sem candidata não mostram um partido fechado para projetos eleitorais femininos.

“O Zeca era candidato natural porque foi governador por dois mandatos. Não é por ser homem, mas porque comandou Mato Grosso do Sul por oito anos. O PT elegeu a única vereadora de Campo Grande, uma prova cabal de como existe espaço para a mulher no Partido dos Trabalhadores.”

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