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Política

Indígenas ocupam Distrito Sanitário e pedem saída de coordenador

Grupo denuncia falta de estrutura, demissões e cobra melhorias na assistência às comunidades

Por Geniffer Valeriano e Gabi Cenciarelli | 30/06/2026 10:09

Cerca de 100 indígenas ocuparam a sede do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) e impediram a entrada de funcionários na manhã desta terça-feira (30), em Campo Grande. Até às 9h50, equipes da PF (Polícia Federal) tentavam acesso ao prédio.

RESUMO

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Cerca de 100 indígenas ocuparam a sede do Dsei em Campo Grande na manhã desta terça-feira (30), impedindo a entrada de funcionários e pedindo a exoneração do coordenador Lindomar Terena. Os manifestantes denunciam falta de remédios, transporte e água nas comunidades, além de demissões sem justa causa e desaparecimento de materiais como pneus e celulares. A Polícia Federal tentou intermediar o acesso ao prédio.

Conforme apurado pelo Campo Grande News, o protesto é realizado por lideranças e caciques que pedem a exoneração do coordenador Lindomar Terena. A ocupação começou antes das 8h.

No portão do Dsei, manifestantes colaram cartazes com críticas à gestão. “Mudança já no Dsei MS”, “O descaso com a saúde indígena não pode continuar” e “A base das comunidades pede socorro: falta de remédio, transporte, água e equipe médica”, diziam as mensagens.

Indígenas ocupam Distrito Sanitário e pedem saída de coordenador
Parte do grupo se concentrou próximo ao portão do Dsei (Foto: Gabi Cenciarelli)

Ao Campo Grande News, o coordenador substituto Genilson Duarte afirmou que o protesto também foi motivado por demissões sem justa causa e pela indisponibilidade de servidores.

“As lideranças me chamaram aqui para esclarecer esses fatos administrativos que vêm ocorrendo. A indisponibilidade dos servidores, o motivo das demissões dos colaboradores e o que houve”, relatou.

Segundo Genilson, a gestão tem colocado em indisponibilidade servidores que apoiam a oposição. “São pessoas que não têm nada que desabone. Eu me posicionei contra assédios, demissões e perseguições e ao lado dos trabalhadores. Isso gerou uma crise na gestão e, inclusive, nos colocou em indisponibilidade”, disse.

Indígenas ocupam Distrito Sanitário e pedem saída de coordenador
Célio afirmou que manifestação cobra melhorias para comunidades indígenas (Foto: Gabi Cenciarelli)

O coordenador da Comunidade Terena, Célio Fialho Terena, afirmou que as reivindicações incluem melhorias na estrutura de transporte e no abastecimento de água. Ele lembrou que, em março, o grupo já havia feito uma manifestação no local, que durou três dias.

Célio também relatou que os manifestantes cobram esclarecimentos sobre o desaparecimento de materiais, como pneus e celulares. “Quem saiu com esses pneus daqui falou que ia vender. Chegaram mais de 100 celulares, que seriam usados por agentes de saúde, e também sumiram”, afirmou.

Segundo ele, as lideranças cobram uma gestão que dialogue e visite as comunidades. “São várias situações que fazem com que as lideranças saiam de casa de madrugada para cobrar a saída dessa gestão. Queremos uma gestão que ouça e atenda as necessidades das comunidades”, concluiu.

Indígenas ocupam Distrito Sanitário e pedem saída de coordenador
Lindomar durante tentativa de adentrar o Dsei (Foto: Sofia Lupes)

O coordenador do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), Lindomar Terena, informou que soube da ocupação ainda pela manhã. Ele chegou ao prédio por volta das 10h20 e afirmou que aguarda a formalização das reivindicações dos manifestantes.

“O que a gente vê nos cartazes é a questão da frota, das viaturas. Elas estão todas no pátio para serem entregues. Inclusive, há motoristas de Dourados aguardando para fazer a retirada, e isso acaba atrasando a entrega”, afirmou.

Sobre os celulares citados pelos manifestantes, Lindomar disse que os aparelhos foram distribuídos aos polos-base de saúde. “Todos os polos receberam, inclusive temos documentos assinados comprovando as entregas”, declarou.

Questionado sobre as demissões, o coordenador afirmou que parte dos servidores de carreira estava “sem função” dentro do Dsei. “São servidores antigos do Ministério da Saúde e havia solicitação de viagens, mas não tínhamos como autorizar sem justificativa concreta”, explicou.

Segundo ele, esses profissionais foram devolvidos ao Ministério da Saúde para realocação, sem prejuízo financeiro. Em relação a outras demissões, Lindomar afirmou que se trata de “mudanças técnicas da nova gestão, que não precisam ser justificadas”.

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