Primeiro descendente de japoneses na disputa ao Senado estreia no Bon Odori
Candidato do Novo escolhe tradicional festa nipo-brasileira para iniciar campanha

Entre tambores, lanternas e danças que preservam a memória dos imigrantes japoneses, Roberto Oshiro (Novo) escolheu um cenário ligado à própria história para dar os primeiros passos da campanha ao Senado. Descendente de japoneses, ele inicia a corrida eleitoral durante o 40º Bon Odori de Campo Grande, tradicional celebração da comunidade nipo-brasileira.
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A escolha tem forte componente simbólico. Oshiro cresceu frequentando a Associação Esportiva e Cultural Nipo-Brasileira de Campo Grande, onde ocorre a festa, e agora retorna ao espaço na condição de candidato a uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado.
“Esse será o primeiro evento que participo como candidato no local que faz parte da minha vida. Eu cresci dentro da associação”, afirmou.
Segundo a organização, o Bon Odori tem entrada gratuita e é aberto a toda a população. A presidente da Associação Nipo, Maria Leni Adania, considera significativa a presença de um integrante da comunidade em uma disputa majoritária.
“Colocar seu nome para disputa num cargo eletivo de senador requer muita coragem. Vai concorrer com grandes nomes”, disse.
Para Oshiro, a estreia da campanha no evento também estabelece uma ligação entre a história dos antepassados e sua entrada na disputa eleitoral. “Remete à memória dos meus avós e bisavós, imigrantes japoneses, e, agora, à minha história, porque sou o primeiro descendente em Mato Grosso do Sul a disputar o cargo de senador”, declarou.
Da advocacia ao setor empresarial
Advogado com especialização em Direito Tributário e empresário, Oshiro construiu parte de sua trajetória profissional ligada às entidades representativas do setor produtivo. Há mais de duas décadas participa da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande.
Na instituição, idealizou e fundou a Câmara de Mediação e Arbitragem de Campo Grande, voltada à solução extrajudicial de conflitos. Segundo o candidato, a iniciativa posteriormente ganhou projeção nacional na área.
É justamente a experiência empresarial e institucional que Oshiro pretende apresentar como uma das credenciais durante a campanha.
Filho do engenheiro civil Roberto Tarashigue Oshiro e da catequista Nilva Oliveira Oshiro, ele cresceu entre referências da cultura japonesa e a formação cristã. A origem familiar ganha agora espaço também na construção de sua identidade eleitoral.
Representatividade e expectativa
A candidatura desperta atenção entre integrantes da comunidade nipo-brasileira, que enxergam na presença de Oshiro na disputa uma possibilidade de ampliar a representatividade política.
O presidente da Associação Campo-grandense de Beisebol, por exemplo, relaciona a candidatura não apenas às demandas da comunidade japonesa, mas também às atividades econômicas do Estado.
“É motivo de muito orgulho por ser ele atuante e, de fato, conhecer os problemas que podem ser solucionados com a força de um mandato eleitoral”, afirmou. Segundo ele, existe expectativa principalmente em relação ao comércio, aos serviços e à preservação da cultura, educação e esportes ligados à comunidade.
A repercussão também chegou ao sul do Estado. Em Dourados, Oshiro se reuniu com integrantes da comunidade nipo-brasileira, entre eles representantes do Fujinkai.
Presidente da Rengo Kai, o médico Nélio Shigueru Kurimori classificou como motivo de orgulho a disposição de um descendente de japoneses de participar diretamente da política eleitoral.
“É um orgulho ver um descendente se expor para defender os interesses de todos”, afirmou.
Ao escolher o Bon Odori como ponto de partida, Oshiro tenta transformar as próprias raízes em uma das marcas de apresentação da candidatura. A festa que celebra antepassados e preserva tradições japonesas passa, neste ano, a dividir espaço com outro ritual: o começo de uma campanha eleitoral que pretende levar um integrante da comunidade nipo-brasileira de Mato Grosso do Sul ao Senado.

