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Política

Ministro André Mendonça afasta diretor-geral e chefe da Inteligência da PF

Decisão atinge Andrei Rodrigues e Leandro Almada em meio à disputa entre ministros do STF.

Por Ângela Kempfer | 08/09/2026 08:17
Ministro André Mendonça afasta diretor-geral e chefe da Inteligência da PF
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues (Foto: Divulgação/PF)

A disputa entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avançou sobre a cúpula da PF (Polícia Federal) nesta terça-feira (8). André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.

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Ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, em meio a um confronto com o ministro Alexandre de Moraes. A disputa tem origem na divulgação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e no uso de relatórios internos da PF pelos dois ministros para levantar suspeitas mútuos. A decisão será analisada pela Segunda Turma do STF.

A decisão tem como pano de fundo o confronto entre Mendonça e Alexandre de Moraes envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). No centro da controvérsia estão documentos produzidos pela própria PF e usados pelos dois ministros para levantar suspeitas um contra o outro.

Mendonça decidiu afastar os dois integrantes da direção da polícia depois que Moraes utilizou um relatório interno da corporação para solicitar uma investigação contra ele por possíveis crimes de abuso de autoridade e responsabilidade, além de improbidade administrativa.

Ao justificar a medida, Mendonça apontou o que classificou como gravidade na produção dos relatórios de inteligência divulgados por Moraes. Para o ministro, seria necessário agir imediatamente para preservar as atribuições da magistratura, da advocacia pública e da atividade policial.

A ordem não encerra o caso. O afastamento será analisado pela Segunda Turma do Supremo, composta por Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e pelo próprio Mendonça.

Andrei soube da decisão quando participava da abertura de um curso para novos agentes da Polícia Federal, na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Cerca de 735 alunos estavam no auditório enquanto a instituição aguardava uma manifestação de sua direção sobre o afastamento.

Mensagens de Vorcaro estão na origem da disputa

A escalada entre os ministros começou após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviadas a Alexandre de Moraes.

Os diálogos mostram que Vorcaro procurou Moraes pouco antes de ser preso pela Polícia Federal. Nas conversas, buscou informações a respeito da investigação, tratou de encontros com o ministro e chegou a perguntar se deveria sair do Brasil.

Depois da revelação das mensagens, Mendonça pediu à Polícia Federal a elaboração de um relatório sobre o episódio. O material também registrou referências a contatos que envolveriam Andrei Rodrigues e o PGR (Procurador-Geral da República), Paulo Gonet.

Moraes, por sua vez, reagiu recorrendo a outro documento da PF para pedir que Mendonça fosse investigado. Esse relatório é descrito pela própria Polícia Federal como material "sem valor probatório" e também contém menções ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

Diante do conflito, o presidente do Supremo, Edson Fachin, já havia determinado que Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet prestassem esclarecimentos sobre os contatos mantidos com Vorcaro.

O afastamento dos dois dirigentes da PF abre agora uma nova frente na crise: uma disputa que começou dentro do Supremo passou a produzir consequências diretas sobre o comando da principal polícia investigativa do país.