Na depressão, Alisson encontrou na argila um jeito de voltar ao mundo
Hoje, ateliê reúne cerca de 60 alunos e aposta em torno, modelagem e liberdade criativa no ensino da arte

Foi em um período em que quase não queria estar perto de ninguém que Alisson Rodrigues, de 40 anos, começou a colocar as mãos na argila. Vivendo em Brasília (DF) e enfrentando a depressão e o isolamento, ele encontrou na cerâmica uma atividade que, aos poucos, também o fez voltar ao convívio com outras pessoas. Anos depois, já em Campo Grande, aquilo que começou em um momento difícil virou parte central da rotina e hoje é compartilhado com cerca de 60 alunos.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Alisson Rodrigues, de 40 anos, encontrou na cerâmica uma saída para a depressão e o isolamento e transformou a atividade em profissão. O que começou em Brasília, durante um período difícil, virou um ateliê em Campo Grande com cerca de 60 alunos. Após aperfeiçoamento na Espanha, ele criou um espaço focado na liberdade criativa, onde ensina técnicas como torno e modelagem sem impor barreiras ao aprendizado.
Hoje, o cenário é bem diferente daquele período de solidão. Em Campo Grande, o seu ateliê reúne cerca de 60 alunos e funciona em meio a fornos, pincéis, mesas de trabalho, peças em diferentes estágios, pigmentos e a poeira inevitável da argila. O espaço é dedicado à cerâmica artesanal de alta temperatura e também oferece cursos de torno e modelagem.
O primeiro contato mais próximo de Alisson com a atividade aconteceu ainda em Brasília, no Ateliê Soma. Foi ali que ele conheceu o torno elétrico e começou a entender as possibilidades da cerâmica. Depois de retornar a Campo Grande, fez três meses de aulas em um ateliê e continuou produzindo por conta própria, ainda com pouca formação técnica.

A dificuldade de dominar o torno acabou levando Alisson a buscar aperfeiçoamento fora do Brasil. Ele viajou para a Espanha e passou uma temporada estudando na região de Girona, onde aprofundou os conhecimentos sobre técnicas de cerâmica. O aprendizado ajudou a transformar uma descoberta feita durante um momento delicado da vida em profissão, ateliê e espaço de aprendizado compartilhado.
“A cerâmica mudou a minha vida, não vou mentir. Eu percebi que também era uma questão de socialização, de não ficar sozinho. Foi quando convidei uma ceramista para estar mais presente no ateliê, ter alguém ali comigo e me ajudar. Hoje, sempre falo para os meus alunos o quanto sou grato por eles. Esse contato diário, o carinho e o cuidado que eu tenho com eles, e que eles também têm comigo, acabaram transformando o ateliê e também a minha vida”.
Intercâmbio Cultural - Durante a temporada de estudos na Espanha, Alisson aprofundou o domínio do torno elétrico e experimentou diferentes caminhos da cerâmica, da preparação de esmaltes à coloração da argila. Entre tantas técnicas, foram as mesclas de cores que mais despertaram seu interesse e que, hoje, continuam sendo objeto de pesquisa dentro do ateliê.
“O torno permite produzir peças cilíndricas mais parecidas entre si. Já na mão, cada peça acaba ficando diferente. Para fazer uma garrafa manualmente, por exemplo, é preciso construir e unir partes. No torno, consigo levantar a forma de uma vez e chegar à peça pronta com muito mais controle”.
Entre as várias possibilidades da cerâmica, como pinch pot, placa e acordelado, Alisson acabou se aproximando mais do torno, justamente uma das técnicas que considera mais difíceis. O interesse começou logo na primeira aula e depois virou também uma resposta às experiências mais rígidas que teve durante a formação.
No próprio ateliê, ele decidiu seguir outro caminho, com ensino mais acessível e menos baseado na ideia de que aprender exige sofrimento.

“Na minha primeira aula de torno, os professores perguntaram há quanto tempo eu fazia aquilo e eu respondi: ‘15 minutos’. Depois ouvi que eu não tinha técnica e que ninguém sobrevivia de cerâmica. Isso mexeu comigo. Hoje, tento mostrar aos alunos que dá para aprender sem passar pelo mesmo sofrimento. Aqui tem gente que quer viver de cerâmica e gente que procura só uma forma de arteterapia. Acho que essa liberdade e o boca a boca fizeram o ateliê crescer de forma muito natural”.
No ateliê, as aulas passam por diferentes técnicas e etapas da cerâmica, mas Alisson diz que o foco não está apenas em repetir métodos. A proposta é dar espaço para que cada aluno experimente, teste ideias e desenvolva uma linguagem própria, inclusive quando o caminho exige pesquisa conjunta.
“Eu ensino tudo o que sei e não escondo informação de ninguém. Quando aparece algo que eu não sei, a gente pesquisa e testa junto. O que os alunos mais comentam é essa liberdade criativa. Aqui, em vez de simplesmente dizer ‘não’, a gente tenta entender como aquela ideia pode ser desenvolvida”.
O Ateliê AR continua com vagas abertas. Os interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp, no número (67) 99909-5696. Ele está localizado na Rua Pelourinho, nº 407, Parque Novos Estados.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.



