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Comportamento

Professor percorre a 14 à noite atrás de cenas que muita gente nem nota

Luís Ratier registra cenas espontâneas, vende retratos e aposta no cenário urbano para contar histórias

Por Amanda Ferreira | 08/09/2026 07:55
ueProfessor percorre a 14 à noite atrás de cenas que muita gente nem nota
Fotógrafo transforma encontros cotidianos no Centro de Campo Grande em registros da vida noturna (Foto: Luís Ratier

Luís Fernando Ratier, de 30 anos, é professor de História, mora em São Gabriel do Oeste e encontrou nas noites de Campo Grande um espaço para experimentar a fotografia. Quando está na Capital, é principalmente pela Rua 14 de Julho que ele caminha com a câmera em mãos, registrando pessoas, fachadas, luzes e situações que encontra pelo caminho.

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Luís Fernando Ratier, professor de História de 30 anos, usa caminhadas noturnas pela Rua 14 de Julho, em Campo Grande, para desenvolver um estilo fotográfico autoral chamado "no street", com imagens espontâneas e sem edição. Ele também experimenta câmeras danificadas e prepara a exposição "A Beleza que Não é Minha", no Casarão Thomé, com fotografias de mulheres registradas ao longo do projeto.

Embora tenha nascido em Campo Grande, Luís viveu na cidade apenas durante a infância. A aproximação com a Capital veio novamente durante a faculdade de História, quando passou a observar com mais atenção o Centro e a produção cultural da cidade.

Hoje, ele tenta transformar essas caminhadas em um trabalho autoral. A ideia é registrar o cotidiano sem grandes interferências e, aos poucos, encontrar uma linguagem própria para as imagens feitas nas ruas.

Professor percorre a 14 à noite atrás de cenas que muita gente nem nota
Foto que mais marcou durante suas fotografias pela 14 de Julho (Foto: Luís Ratier)

“Hoje, busco fazer uma fotografia popular. Estou trabalhando na criação de um estilo fotográfico próprio, que chamo de ‘no street’. Na 14 de Julho, também vendo algumas das minhas fotografias, porque acredito que isso ajuda a manter e estruturar esse laboratório de experimentação. O legal também é que não edito minhas imagens, gosto delas o mais natural possível”, conta Luís para a reportagem.

Além dos registros feitos durante as caminhadas, Luís também experimenta câmeras danificadas e intervenções em sensores para conseguir efeitos ligados à glitch art, estética que explora falhas e distorções na imagem.

Professor percorre a 14 à noite atrás de cenas que muita gente nem nota
Uma das caracteristicas das suas imagens é não editar suas fotografias (Foto: Luís Ratier)

Para ele, a fotografia também pode servir como forma de aproximar pessoas que não têm equipamentos ou acesso aos mesmos espaços de produção artística. A ideia é compartilhar o que está disponível e criar uma rede de troca.

“Eu penso muito nessa ideia de rede, de as pessoas se ajudarem. Eu tenho acesso a uma câmera boa e posso usar isso para aproximar outras pessoas da fotografia. Nem todo mundo tem acesso a tudo, mas, quando a gente compartilha o que tem, consegue criar outras possibilidades”.

Professor percorre a 14 à noite atrás de cenas que muita gente nem nota
Luís também vende as fotografias às pessoas que são retratadas por ele (Foto: Luís Ratier)

É justamente o encontro com quem está na rua que mais interessa ao professor. Durante as caminhadas pela 14 de Julho, ele fotografa situações espontâneas e diz não estar necessariamente atrás de imagens tecnicamente perfeitas.

“Teve uma foto recente que me marcou muito. Dois meninos estavam fazendo sinais enquanto esperavam, e a imagem ficou toda borrada. Mesmo assim, foi divertida para mim e para eles. É isso que me interessa na fotografia, essa espontaneidade, essa brincadeira e a forma como ela vira uma comunicação entre as pessoas”.

Enquanto tenta consolidar esse trabalho, Luís prepara a exposição “A Beleza que Não é Minha”, com fotografias de mulheres que retratou ao longo do projeto. A proposta é reunir fotografias, instalação e videoarte no Casarão Thomé, próximo à Rua 14 de Julho. A data de abertura ainda não foi definida.

Professor percorre a 14 à noite atrás de cenas que muita gente nem nota
Projeto “no street” busca construir uma linguagem própria a partir da relação entre pessoas e espaço urbano (Foto: Luís Ratier)


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