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Campo Grande, Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

02/06/2016 17:38

Para vereadores candidatos, campanha será de conversa com o eleitor

Entre denunciados, tem até quem já esteja de olho em tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa, em 2018

Antonio Marques e Alberto Dias
Os vereadores denunciados pelo Ministério Público consideram que as eleições de outubro vão oportunizar a conversa direta com os eleitores para esclarecer os fatos da operação Coffee Break (Foto: Arquivo)Os vereadores denunciados pelo Ministério Público consideram que as eleições de outubro vão oportunizar a conversa direta com os eleitores para esclarecer os fatos da operação Coffee Break (Foto: Arquivo)

Dos 13 vereadores denunciados pela PGJ (Procuradoria-geral de Justiça), nesta semana, por envolvimento em suposto esquema para cassar o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), em 2014, apenas um já declarou que não disputará a reeleição em outubro. Para a maioria, a campanha vai ser o momento oportuno para conversar com os eleitores e esclarecer os fatos ocorridos.

Os parlamentares argumentam ainda que vão usar o processo de cassação do prefeito para esclarecer a população, durante a campanha, de que tudo foi feito dentro da legalidade. Ou seja, eles vão fazer o discurso contra Bernal. Os vereadores garantem que seus eleitores os conhecem pela trajetória política e até pelo trabalho profissional realizado há anos na Capital.

Entre os 13 parlamentares denunciados (gráfico abaixo), três vão responder por dois crimes, associação criminosa e corrupção ativa. Os outros 10 foram denunciados pelo crime de corrupção passiva que, segundo o inquérito do MPE (Ministério Público Estadual), teriam levado alguma vantagem para votar pela cassação do prefeito Alcides Bernal.

A petição foi entregue pela PGJ ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e caberá ao desembargador que cuidará do caso decidir se aceita ou não as denúncias. Em caso positivo, os investigados vão se tornar réus.

Apenas o ex-presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar (PMDB), que foi denunciado por corrupção ativa e associação criminosa, desistiu de continuar na vida política e deve retormar suas função de auditor fiscal. "Não tenho saúde para isso", disse, negando a pretensão de um terceiro mandato de vereador.

Edil Albuquerque (PTB), acusado de corrupção passiva, já havia anunciado no fim do ano passado que se aposentaria, porém depois que deixou o PMDB, voltou a pensar na reeleição e disse “estar decidindo” se vai disputar as eleições de outubro. Ele é um dos que admite desgaste causado pela operação Coffee Break na próxima campanha eleitoral.

Airton Saraiva (DEM) sonha mais alto, mesmo sendo denunciado pelos crimes de associação criminosa e corrupção passiva. Ele disse que o partido quer ele na disputa e que poderá sair. “Mas, na realidade, eu queria ter um projeto maior para 2018, afinal já estou no quarto mandato. Então, de repente eu apoio alguém do partido para fazer um ou dois vereadores para sair a deputado na próxima", revelou.

Todos não têm receio de enfrentar as urnas no próximo dia 2 de outubro e dizem que vão para a disputa da reeleição. Alguns até admitem o desgaste na imagem provocado pela denúncia, mas tem aqueles que consideram ser o momento certo para conversar com as pessoas e esclarecer os fatos.

É o caso do vereador Flávio César (PSDB), que pode responder pelos crimes de corrupção passiva e associação criminosa. Ele justifica que, por ser o relator da Comissão Processante que pediu a cassação do prefeito, investigou a fundo as irregularidades cometidas pelo prefeito e que vai falar sobre isso aos eleitores.

Para Flávio César, que ficou na presidência da Casa após o afastamento de Mário Cesár, o fato de ser denunciado não traz qualquer preocupação em relação a eleição. Ele disse ter convicção que não fez nada de errado e que a verdade vai prevalecer. “A acusação é absurda e infundada. Nunca cometi erro na minha trajetória política que pudesse comprometer a minha honra, meus princípios e a ética. Isso tudo vai ser esclarecido e vou ter a oportunidade de provar a inocência na justiça”, afirmou.

“Quem me conhece, sabe da minha trajetória e do meu caráter e vão continuar confiando em mim”, comentou Flávio César. Outro parlamentar com a mesma linha de pensamento é o médico Jamal Salem, que assumiu a Secretaria Municipal de Saúde após a cassação de Bernal. “Tenho mais de 30 anos de profissão, trabalho social realizado e as pessoas que me conhecem não vão deixar de votar em mim”, afirmou ele.

Jamal Salem disse respeitar o trabalho do MPE e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), mas se considera vítima no processo. Para ele, a denúncia é vazia e não tem materialidade alguma. “Estive no Gaeco apenas uma vez por 40 minutos e respondi perguntas vazias. Depois do levamento fiscal e bancário que eles fizeram não fui mais chamada para esclarecimentos. Estou aliviado porque agora terei a oportunidade de apresentar minha defesa”, observou ele.

Paulo Siufi (PMDB) revela que o fato não vai fazer diferença porque não fez nada que desabone sua conduta. "Tenho minha consciência tranquila que votei certo e que se precisar voto de novo", afirmou, referindo-se ao processo de cassação do prefeito Bernal.

VEREADORES DENUNCIADOS NA COFFEE BREAK
ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA:
• Mario Cesar - PMDB
• Airton Saraiva - DEM
• Flávio César - PSDB
CORRUPÇÃO ATIVA:
• Mario Cesar - PMDB
• Airton Saraiva - DEM
• Flávio César - PSDB
CORRUPÇÃO PASSIVA:
• Edil Albuquerque - PTB
• Carlos Borges (Carlão) - PSB
• Edson Shimabukuro - PTB
• Gilmar da Cruz - PRB
• Eduardo Romero - Rede
• Jamal Salém - PR
• João Rocha - PSDB
• Otávio Trad - PTB
• Paulo Siufi - PMDB
• Waldeci (Chocolate) - PTB

Já o atual presidente da Casa, vereador João Rocha, que vai à disputa do terceiro mandato, admite que a denúncia deve apresentar um desgaste, “que é inegável e não deixa de ser uma situação desagradavel, mas cada um de nós construímos uma musculatura política”, comentou ele, acrescentando ser um parlamentar que representa muitos segmentos e que tem relacionamento constante com as pessoas das diversas áreas, como o esporte, exemplificou ele.

O atual secretário geral da Câmara, vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), considera que a denúncia “atrapalha porque você tem que estar explicando, andando com o relatório (do processo da cassação do prefeito). Mas sou candidato porque meu trabalho fala mais alto”, garante. Ele afirma que a consciência está tranquila e o dever foi cumprido. “Não levei vantagem financeira pessoal”, disse Carlão, que foi denunciado por corrupção passiva.

Também denunciado por corrupção passiva, Eduardo Romero (Rede) é outro vereador que será candidato e disse que está à disposição do partido. Questionado se as denúncias podem subtrair votos, ele admite um desconforto político, mas acredita o que eleitor saberá pautar seu voto "em cima do trabalho realizado e de resultados", que inclui 69 projetos apresentados por ele e que viraram lei.

“Quem conhece o meu trabalho sabe da minha idoneidade e da minha honestidade”, respondeu o vereador Waldecy Batista Nunes, o Chocolate (PTB), que deve responder pelo crime de corrupção passiva. Ele afirma que vai à reeleição e garante que não recebeu nenhuma vantagem para cassar o prefeito.

Outros três vereadores, Edson Shimakuro (PTB), Gilmar da Cruz (PRB) e Otávio Trad (PTB) já declararam que vão disputar as eleições de outubro. O Campo Grande News tentou contato com eles, mas não os celulares deram caixa de mensagem.



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