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Política

Senadores de MS se dividem sobre fim da escala 6x1 aprovada pela Câmara

Soraya apoia a proposta, Nelsinho defende compensações ao empregador e Tereza aguarda análise

Por Anderson Viegas | 28/05/2026 14:13
Senadores de MS se dividem sobre fim da escala 6x1 aprovada pela Câmara
Da esquerda para a direita, Soraya Thronicke, Nelsinho Trad e Tereza Cristina têm posições diferentes sobre a PEC que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil (Fotos: Arquivo e Divulgação)

Os senadores de Mato Grosso do Sul adotam posições diferentes sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil. Há apoio declarado à proposta entre integrantes da bancada, enquanto outros defendem equilíbrio entre os direitos do trabalhador e os impactos da medida sobre quem emprega, além de análise técnica antes que o texto avance no Senado.

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Os senadores de Mato Grosso do Sul têm posições distintas sobre a PEC que acaba com a escala 6x1 e cria a jornada 5x2. Soraya Thronicke apoia a proposta, Nelsinho Trad considera a medida meritória, mas pede compensações fiscais ao setor produtivo, e Tereza Cristina aguarda análise técnica. A PEC, já aprovada na Câmara, ainda precisa de 49 votos em cada turno no Senado.

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira (27), em dois turnos, e agora segue para análise do Senado Federal. O texto põe fim à escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos com apenas um dia de descanso, e estabelece a adoção da escala 5x2, com direito a duas folgas semanais remuneradas, sendo uma preferencialmente aos domingos. Também prevê redução gradual da jornada máxima semanal de trabalho, hoje em 44 horas.

Entre os senadores de Mato Grosso do Sul, a senadora Soraya Thronicke (PSB) se manifestou favoravelmente à proposta. Segundo ela, a aprovação representa “uma vitória dos trabalhadores brasileiros, que diariamente enfrentam jornadas exaustivas para garantir o sustento de suas famílias com dignidade”.

 Soraya pondera, porém, que o processo exigirá adaptação. “É importante destacar que o texto prevê um processo de transição, além de legislações específicas para determinadas categorias profissionais. Sabemos que os setores empregadores, especialmente micro, pequenos e médios empresários, também precisam de planejamento, suporte e segurança para que essa mudança aconteça de forma equilibrada e responsável”, afirmou. “Agora, a proposta segue para o Senado, e quero deixar claro: estarei ao lado da classe trabalhadora nessa discussão”, completou.

Já o senador Nelsinho Trad (PSD) afirmou que a proposta representa um avanço do ponto de vista do trabalhador diante da competitividade do mercado atual, mas ponderou que a eventual mudança exige medidas que reduzam os impactos para o setor produtivo.

 “Projeto dessa natureza é meritório para o trabalhador diante da competitividade agressiva dos tempos de hoje”, afirmou. Segundo ele, o governo precisa construir mecanismos para que os custos da mudança não recaiam diretamente sobre o empregador. “O governo tem que entender que essa política pública não pode recair seu ônus para o empregador. Há que se engenhar medidas compensatórias tributárias e fiscais para mitigar eventuais prejuízos de quem gera empregos, evitando que esses custos sejam repassados à população”, declarou.

 A senadora Tereza Cristina (PP) informou que deve se posicionar somente após a chegada formal da PEC ao Senado e análise técnica do texto pela assessoria econômica da liderança do PP.

 A proposta ainda precisa cumprir tramitação no Senado, passando por comissões e por votação em plenário em dois turnos. Como se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários ao menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada turno para aprovação.

Pelo texto aprovado na Câmara, 60 dias após eventual promulgação passam a valer as duas folgas semanais e a primeira etapa de redução da jornada, de 44 para 42 horas semanais. Depois disso, em até 12 meses, a carga horária máxima cairia para 40 horas por semana, sem redução salarial.