Vereadores cobram titular na Sisep e pedem detalhes da execução do tapa-buraco
Parlamentares querem definição sobre o comando de obras e aprovaram solicitação de informações sobre contratos
A Câmara Municipal de Campo Grande voltou a discutir nesta terça-feira (19) os impactos da Operação “Buraco Sem Fim” sobre a execução do tapa-buracos na Capital. Além da cobrança por uma definição sobre o comando de áreas estratégicas da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), os vereadores aprovaram requerimento com pedido de informações detalhadas sobre contratos, fiscalização e cronograma dos serviços.
RESUMO
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A Secretaria Municipal de Obras está sem titular desde 1º de abril, período anterior à deflagração da operação, quando o então secretário Marcelo Miglioli deixou o cargo para disputar as eleições. Desde então, a expectativa era de que o secretário-adjunto Paulo Cançado assumisse o comando da pasta, porém, até o momento, a nomeação ainda não foi oficializada.
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A cobrança foi reforçada pelo presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), após reunião com a prefeita Adriane Lopes (PP) realizada na segunda-feira. Segundo ele, a principal preocupação do Legislativo é garantir continuidade dos serviços e resposta às demandas da população.
“A Câmara não quer debater quem foi preso ou por que foi preso, porque isso é assunto da Justiça. O que a Câmara quer discutir é quem vai assumir agora, o Mehdi [que foi preso durante a operação], era pra quem todo mundo ligava. Era a pessoa que estava sempre atendendo, resolvendo os problemas. Quem vai ficar no lugar dele? Quem será colocado lá? Acho que a Câmara faz esse papel porque quer as reivindicações atendidas”, afirmou.
Papy disse ainda que a cobrança pela definição de um substituto foi praticamente unânime entre os parlamentares. “É preciso colocar alguém urgentemente no lugar, alguém adjunto, preencher essas posições importantes que ficaram vagas. Essa foi a cobrança de praticamente toda a Câmara. E acho que ela ainda não tem uma decisão tomada sobre isso”, declarou.
A discussão ocorre uma semana após a deflagração da Operação “Buraco Sem Fim”, conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), que investiga supostas fraudes sistemáticas em contratos de manutenção viária em Campo Grande. A investigação apura manipulação de medições e pagamentos por serviços que, segundo o Ministério Público, não corresponderiam integralmente ao executado. Entre 2018 e 2025, os contratos investigados somam mais de R$ 113 milhões.
Entre os alvos da operação estão o engenheiro Mehdi Talayeh, então superintendente de Serviços Públicos da Sisep, além do coordenador do tapa-buraco, Edivaldo Aquino Pereira. Ambos foram exonerados após as prisões.
Apesar das investigações, Papy defendeu que os serviços não sejam interrompidos enquanto não houver decisão judicial suspendendo contratos.
“Eu imagino que, se não houver um pedido da Justiça para suspender os contratos, não há motivo para interromper o serviço. A empresa não depende do dono para executar o tapa-buraco. Tendo contrato válido, acho que as empresas devem continuar trabalhando normalmente para não prejudicar a cidade”, disse.
Segundo ele, eventual suspensão poderia gerar impacto direto porque grande parte dos contratos estaria concentrada em uma única empresa.
“Se a Justiça mandar suspender os contratos, aí há um problema, porque mais da metade está concentrada em uma empresa só. Teria que chamar a segunda colocada, ver se ela teria condições de começar imediatamente”, afirmou.
O presidente da Câmara acrescentou que, até o momento, não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público, apenas as prisões decorrentes da investigação.
“Interromper o serviço seria a pior situação. Não suspender os contratos me parece o caminho neste momento. A prefeitura deve deixar terminar, até porque essa licitação acaba em julho. Até lá, é tocar o serviço e resolver esses buracos logo”, completou.
Requerimento aprovado - Paralelamente à discussão sobre o comando da Sisep, a Câmara aprovou o Requerimento nº 34, de autoria do vereador Jean Ferreira (PT), solicitando uma série de informações à secretaria e ao gabinete da prefeita sobre a operação tapa-buracos em Campo Grande. O documento busca ampliar o acompanhamento legislativo sobre execução financeira, contratual e operacional do serviço.
O pedido exige dados referentes aos anos de 2024, 2025 e 2026, incluindo contratos vigentes, termos aditivos, empresas contratadas, valores pagos, fontes de recursos, cronogramas, ruas atendidas, materiais utilizados e fiscalização dos serviços.
O requerimento também pede relatórios mensais de execução, com endereços e bairros atendidos, quantidade de buracos reparados, datas das intervenções e identificação dos fiscais responsáveis pelo acompanhamento das obras.
Para 2025 e 2026, o documento solicita ainda memorial descritivo das operações realizadas ou previstas, critérios técnicos de priorização das vias, cronogramas por região, além de dados sobre canais de reclamação da população, número de demandas recebidas e prazo de atendimento.
Na justificativa, o vereador argumenta que a fiscalização é necessária diante do volume de recursos públicos envolvidos e da relevância do serviço para mobilidade urbana, segurança viária e conservação da malha asfáltica da cidade.
A movimentação da Câmara ocorre enquanto a Prefeitura já iniciou mudanças internas após a operação, incluindo a substituição de fiscais ligados aos contratos investigados e a abertura de auditoria sobre processos e pagamentos vinculados às empresas alvo das investigações.


