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Machado de Assis descreveu doença que afeta confinados

Por André Mazini | 27/10/2020 12:07

O escritor Machado de Assis não passou por uma quarentena como a que estamos enfrentando, mas traduziu muito bem os dramas de uma vida em confinamento. Ele descreveu, através de um conto, um transtorno mental que só seria classificado pela ciência 18 anos depois e que pode afetar famílias que vivem em contextos de isolamento.

Em “O Anjo Rafael”, o personagem principal acredita piamente que é um anjo. E sua filha, que mora isolada com ele numa fazenda, acaba embarcando na fantasia do pai. Na história, ela só se dá conta de que tudo não passava de um delírio, meses depois que o pai morre e ela precisa se mudar da fazenda onde viviam.

Esse enredo descreve um transtorno chamado inicialmente de Folie a Deux (se lê Foli-a-dê) e que aparece na literatura médica também com outros nomes, como: “insanidade compartilhada”, “distúrbio delirante induzido”, “insanidade contagiosa”, entre alguns outros.

O distúrbio não é frequente, mas, quando acontece, costuma ser mais comum entre mulheres que vivem em ambientes isolados. Em geral junto com a família. Nesses casos, quando um membro do grupo familiar desenvolve sintomas psicóticos, um ou mais parentes podem acabar sendo "contagiados" com esses sintomas.

Foi exatamente o que aconteceu na casa do “Anjo Rafael”, e pode ser o que esteja acontecendo em alguns lares durante o confinamento.

Mas olha, um recado importante aos confinados e confinadas que estão surtando na quarentena: antes de se autodiagnosticar com “folie a deux”, ou qualquer outro tipo de transtorno, procure um profissional médico e leia um livro de Machado de Assis, ambos podem melhorar muito a saúde mental em tempos de quarentena.


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