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O “pito” educado que o Brasil recebeu da OMS

Por André Mazini | 23/03/2021 20:45

Não sei se é uma expressão usada no Brasil inteiro, mas acho que todo sul-mato-grossense pelo menos sabe o que é “levar um pito”. Foi o que aconteceu durante a entrevista coletiva que os diretores da OMS deram nesta segunda-feira (22), enquanto davam as boas-vindas ao novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e falavam sobre o terrível cenário pandêmico que o País vive.

Esse trecho da bronca educada que o país recebeu (e com razão), pelo diretor de emergência da Organização, Michael Ryan, é um bom exemplo disso:

“Não temos a presunção de dizer ao ministro o que fazer, mas é preciso trabalhar com os estados, usando a capacidade, sabedoria e entusiasmo dos que fazem parte do sistema”. Em interpretação livre, por mim mesmo, poderiam ter dito:

“Então, novo ministro, a gente não queria ter que dizer como vocês devem agir, mas já que o Governo tem sido tão desastroso na gestão dessa crise, vamos dar um toque aqui pra vocês, na camaradagem: parem de ficar criando problema com estados e municípios e proponham uma estratégia de atuação em que todo mundo trabalhe junto, de forma organizadinha, entende?!”

Em outro trecho da coletiva, ainda mais constrangedor para qualquer brasileiro que não tenha ascendente em negacionaismo no mapa astral, a assistente em distribuição de medicamentos e vacinas do órgão, Mariângela Simão, disse, em português, pra ficar bem claro:

“Desejamos ao ministro muita competência e firmeza na condução do enorme desafio que o Brasil tem pela frente. A mensagem extremamente importante é que as políticas de saúde precisam ser baseadas em evidência científica, e que sejam alinhadas entre as três esferas de governo. Agora, mais do que nunca, é preciso que o governo federal trabalhe de perto com estados e municípios”, explicou.

Como a doutora Mariângela é brasileira, a carraspana fica ainda mais clara por parte da OMS. Ela não diz somente que é “importante”, mas que é “extremamente importante”, intensificando o adjetivo para não deixar dúvida sobre a gravidade do cenário que se aproxima, caso nossos governantes continuem mais preocupados com laranjas do que com vacinas. Ou seja, não adianta falar em cloroquina, spray no nariz, ozônio no (deixa pra lá), ou qualquer outra receita cuja fonte seja uma corrente de Whatsapp.

Na coletiva, os diretores da OMS fica claro o que a maioria dos brasileiros havia entendido desde o início dessa que já é a maior crise sanitária da história do País: o Brasil precisa de ciência e de um governo minimamente capaz de organizar o enfrentamento da Covid19.

Temos muitas razão para crer que ainda dá tempo de apostarmos na ciência, já nesse governo...

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