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A UEMS e o peso da formação superior na renda de indígenas

Por André Mazine | 26/04/2021 16:25

Mesmo com todas as transformações dos últimos anos relacionadas ao mercado de trabalho, concluir o ensino superior ainda é um dos caminhos mais seguros para ascensão de renda no Brasil. Os indígenas que o digam, já que uma pesquisa realizada na UEMS revelou que indígenas formados chegavam a ganhar aproximadamente 17 vezes mais em relação aos que concluíram somente o ensino médio.

Entre os países da OCDE, grupo que reúne as nações ricas, os que se formam costumam ganhar um salário 40% maior em relação àqueles que concluíram somente o nível médio. Já no Brasil essa diferença chega a 140%. Com pós-graduação então as pessoas costumam ganhar um salário mais de quatro vezes maior (350%) na comparação com os demais, segundo o relatório Education at a Glance, da OCDE.

Os números já revelam, em si, uma profunda desigualdade social em relação ao acesso à educação superior de uma forma geral, mas a situação fica dramática quando adicionadas a esse caldo, questões relacionadas à raça e etnia. O gráfico abaixo mostra a evolução geral de renda de brancos, negros e indígenas nos três últimos censos realizados no País.

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Com esses dados em mãos fiz uma pesquisa em 2017 com indígenas formados na Universidade Estadual de MS e verifiquei que entre as 32 pessoas entrevistadas a renda média era de R$3.177, aproximadamente 17 vezes mais do que a média de renda de pessoas auto declaradas indígenas no último Censo.

Ponto pras Universidades que proporcionam esse canal de desenvolvimento, e ponto para educação superior sul-mato-grossense que tem sido exemplo nacional quando o assunto é inclusão de indígenas na Universidade. No Estado, além de programas públicos de auxílio financeiro como o Vale Universidade Indígena, a UEMS (Universidade Estadual de MS) reserva 10% de todas as suas vagas a candidatos indígenas. É a única instituição do País que tem esse tipo de cota para todos os cursos, o que significa que a Universidade tem formado médicos, advogados, educadores, cientistas e mais uma gama variada de profissionais que ingressam através das cotas.

Então nessa semana que se comemora o Dia do Índio no Brasil, a coluna PopCiência celebra também as políticas públicas que têm garantido às populações indígenas acesso à Universidade, acesso ao protagonismo na produção de conhecimentos e acesso à um caminho que efetivamente pode levá-los a uma melhor e menos desigual condição de vida.

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