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O papel social da fofoca nas relações humanas

Por André Mazini | 16/12/2020 10:53

“Vou te contar uma coisa, mas não fala pra ninguém, ok?!”. Não precisa de nenhuma pesquisa pra concluir que as chances desse pedido ser atendido são muito pequenas. Um estudo publicado pela revista científica americana "Social Psychological and Personality Science" chegou a mostrar que uma pessoa gasta, em média, 52 minutos por dia “fofocando”.

Mas antes de continuar falando sobre a milenar arte do mexerico, é importante fazer uma distinção sobre como a maioria de nós define fofoca – que é falar mal de alguém que não está presente, ou no famoso “pelas costas” - e como os cientistas a definem. Para a ciência social, a fofoca é a comunicação sobre uma pessoa que não está presente naquele momento. Ou seja, no sentido literal não quer dizer necessariamente algo ruim.

Essa comunicação é útil para a cooperação social e, em grande parte, ajuda a consolidar vínculos entre pessoas. Em uma entrevista à BBC, a professora de Psicologia da Universidade de Baltimore, Sally Farley, esclareceu que "a fofoca é tipicamente verdadeira, por outro lado, se for uma mentira, seria melhor descrevê-la como boato."

Ao analisar as acusações de agressão sexual contra o produtor Harvey Weinstein, Farley viu no caso um exemplo de como a fofoca pode garantir a proteção informal de mulheres de agressores conhecidos, diante da inexistência de mecanismos formais, e seguros, que levem suas queixas a sério.

Na pré-história a fofoca teve um papel fundamental na organização e proteção dos grupos humanos. Isso porque além de alertar sobre perigos, ou para organizar uma caçada coletiva como fazem outros animais, a fofoca evoluiu entre os sapiens como uma ferramenta de comunicação sofisticada que os ajudava a descobrir, por exemplo, quais integrantes do grupo eram confiáveis ou não, e eventualmente afastar membros que poderiam colocá-los sob algum risco.

Trabalhos como do israelense Yuval Harari, chega a defender que nossa linguagem evoluiu como uma forma de fofoca. Ela teria feito toda a diferença nos sistemas de cooperação social de grupos humanos primitivos, algo fundamental na sobrevivência e reprodução da nossa espécie. Aliás, vale a pena a leitura do livro Sapiens, de Harari, que fala mais sobre o assunto.

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