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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

31/12/2017 09:51

"Foi dia mais tenso que vivi na Assembleia", diz Mochi sobre invasão

Reforma da previdência gerou duas invasões na Assembleia, com direito a protesto contido apenas pela tropa de choque

Leonardo Rocha
Foi dia mais tenso que vivi na Assembleia, diz Mochi sobre invasão
Invasão ao plenário foi contido apenas pela tropa de choque, para votação da reforma (Foto: Marcos Ermínio)Invasão ao plenário foi contido apenas pela tropa de choque, para votação da reforma (Foto: Marcos Ermínio)

O presidente da Assembleia, o deputado Junior Mochi (PMDB), esteve a frente de um dos momentos mais polêmicos e inesperados que ocorreu no legislativo. Em menos de cinco dias o prédio foi invadido duas vezes por manifestantes contrários a reforma da previdência. Os parlamentares aprovaram o projeto, com a proteção de 60 homens da Tropa de Choque.

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) se reuniu com os deputados e apresentou no dia 31 de outubro o projeto da reforma, que previa o aumento da contribuição de 11% para 14% aos servidores e de 22% para 28% ao patronal. Além disto criava um teto para os futuros funcionários e unificava os fundos da previdência.

A promessa foi que o projeto seria discutido com os servidores e que seguiria em ritmo normal. Foi quando no dia 21 de novembro, o governo fez várias reuniões e avisou que a proposta iria ao plenário. Um dia depois (22), foi aprovada pela primeira vez, com manifestação contrária, porém ainda tímida. A votação definitiva seria dia 23, em uma quinta-feira.

1° Invasão - No dia principal, uma grande mobilização foi feito pelos servidores, mas o que os deputados não esperavam e que eles invadissem o plenário, no espaço de votação, inclusive sentando na cadeira dos deputados. "Toda manifestação é legítima e normal, mas fomos surpreendidos com a invasão, acho que não precisava daquilo", disse Mochi.

Os deputados tentaram negociar com os sindicalistas, inclusive conseguiram isentar 75% dos servidores, tendo o aumento de contribuição apenas para os que ganhavam acima do teto. No entanto, o impasse era sobre a unificação dos fundos, que iria juntar um deficitário, com outro de saldo de R$ 400 milhões.

Foi então marcada a votação para o dia 28 de novembro. Um dia antes, Mochi fez várias reuniões com as forças de segurança, para montar um esquema e evitar nova invasão. "Ficamos reunidos até tarde tanto no domingo, como na segunda, mudamos muito o texto, mas havia um assunto que não teve acordo", contou o presidente.

Manifestantes invadiram o espaço bloqueados pela polícia e tropa de choque teve que agir (Foto: Marcos Ermínio)Manifestantes invadiram o espaço bloqueados pela polícia e tropa de choque teve que agir (Foto: Marcos Ermínio)

Dia D - Era uma terça-feira (28), a Assembleia montou uma grande esquema de segurança, com 220 policiais, cavalaria à disposição, tendo a tropa de choque com 60 homens preparada para agir. Só poderia entrar no prédio 150 pessoas, além da imprensa e funcionários. O clima era de tensão e confronto, com mais de 5 mil manifestantes na frente do legislativo.

Antes de começar a sessão derradeira, um grupo invadiu o bloqueio da PM, e o restante da multidão seguiu atrás. Uma boa parte conseguiu entrar no prédio, sendo que um deles se atirou e quebrou a porta de vidro. A polícia reagiu com bombas de efeito moral e tropa de choque afastando a multidão.

Um grupo conseguiu entrar lotando o plenário. "Houve excesso na manifestação, tivemos que chamar o reforço para resguardar a segurança de todos. Quando fiquei sabendo a invasão temi pelo desfecho da situação, foi o dia mais tenso que vivi na Assembleia", descreve Mochi.

Decisão - Ele relatou que o comandante da Operação foi até seu gabinete para obter uma resposta. "Tinha que escolher entre adiar a votação, optar por uma sessão em outro lugar ou votar mesmo assim, foi quando pedi que apenas liberassem um espaço para gente votar".

Depois da decisão, a tropa de choque entrou no plenário e se posicionou entre os manifestantes e os deputados. Devido a confusão, os parlamentares apenas tinham espaço em frente a mesa diretora, para votar. "Falei para eles, quem quiser votar vai, quem não se sentir seguro não precisa ir".

Com este clima de conflito, 13 deputados votaram a favor e sete contra, sendo aprovada a reforma da previdência. "Cada um seguiu sua consciência, só iríamos adiar o problema para outro dia". Já os servidores prometeram entrar na Justiça contra a nova lei estadual.

Grupo invadiu local e só foi contido pela tropa de choque (Foto: Marcos Ermínio)Grupo invadiu local e só foi contido pela tropa de choque (Foto: Marcos Ermínio)


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