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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

02/05/2012 15:08

Leitora denuncia descaso de companhia aérea em voo com 150 passageiros

Nadyenka Castro

Aeronave saiu de Brasília com destino a Cuiabá. Após 9h de confusão, muitos desembarcaram em Campo Grande e desistiram da TAM

Em e-mail enviado ao Campo Grande News, a moradora em Diamantino, Mato Grosso, Luciana Rangel, 28 anos, contou o descaso vivido por ela e outros pelo menos 150 passageiros do voo 3650 da TAM, do dia 29 de abril. A diretora de projetos define a situação como momentos de tensão e até cárcere privado.

O grupo embarcou em Brasília com destino a Cuiabá e demais conexões. Conforme o relato de Luciana, a aeronave saiu do solo ás 17h30min, com meia hora de atraso.

A primeira conexão seria em Cuiabá. Mas, ao chegar no aeroporto da capital de Mato Grosso, às 18h40min, a aeronave arremeteu. E é aí que começou o descaso.

Conforme a diretora de projetos, a informação repassada aos passageiros era de que o pouso não poderia ser feito devido ao mau tempo. Então, o avião foi para Goiânia. Lá, todos ficaram na aeronave.

“...os funcionários da empresa preferiram massacrar os seus passageiros, deixando-os presos, em cárcere privado, por mais de 2h dentro do avião em solo, sem dar nenhum tipo de alimentação. A água foi racionada, quando solicitada aos comissários, era fornecido apenas meio copo”, conta Luciana.

Ela segue o relato. “Até a primeira hora de espera dos passageiros no interior do avião as turbinas permaneceram funcionando, de modo que ainda havia a possibilidade (ainda que não adequada de permanecer no interior da aeronave); ocorre que após a primeira hora as turbinas foram desativadas e o ar condicionado foi desligado, em pouco tempo o mau cheiro foi se espalhando pela aeronave, os banheiros não foram higienizados, configurando ambiente totalmente insalubre”.

De dentro do avião, os passageiros ligaram para o aeroporto de Cuiabá e descobriram que as aeronaves estavam pousando normalmente.

Após duas horas em Goiânia, a aeronave voltou para Cuiabá - mesmo o comandante do voo tendo afirmado que não conseguiria pousar. O avião arremeteu novamente “ gerando nervosismo em toda a tripulação e passageiros”.

Luciana continua: “A partir daí o caos, que já pairava no ar, diversos passageiros começaram a passar mal, as comissárias de bordo estavam completamente transtornadas e não sabiam dar nenhuma informação para os passageiros”.

Da capital do Mato Grosso, a aeronave seguiu para Campo Grande, com mais uma hora de voo. “Mais uma vez a história ocorrida em Goiânia estava se repetindo”, fala Luciana.

Diante da situação, um grupo de aproximadamente 30 passageiros começou a pressionar a tripulação. “Diante do questionamento a chefe de cabine informou que estaríamos retornando para Brasília, pois na cidade de Campo Grande não haveria estrutura hoteleira para nos atender (mesma desculpa dada em Goiania, quando questionamos o por que de não desembarcarmos em tal cidade)”, relata a diretora de projetos que tinha compromissos profissionais em Brasília.

“Os erros, o descaso, a falta de informação, o cansaço e estresse de todos chegaram ao ápice quando informaram que retornaríamos para Brasília, momento em que ninguém mais aguentava ficar dentro do avião, já estávamos há oito horas de dentro do avião, sem uma alimentação condigna (OBS: a água potável, a esta altura já havia se acabado), e sem saber o que iria acontecer com a gente”.

Após muita discussão, os passageiros desceram do avião, ficaram na pista e depois foram para o saguão. Uma idosa passou mal, precisou de atendimento do Corpo de Bombeiros e teve a bagagem extraviada. No avião havia até criança febril.

De acordo com Luciana, do grupo de 30 pessoas que decidiu desembarcar em Campo Grande, muitas continuaram a viagem em ônibus, outras compraram passagens por R$ 1,3mil de outra companhia aérea e quatro embarcaram em outro voo da Tam. Para Luciana, a empresa só resolveu a situação das quatro pessoas porque a maioria já tinha solucionado por conta própria.

Conforme Luciana, ela já entrou em contato com a companhia aérea, mas, até o início desta tarde, não havia recebido resposta. A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) também já foi informada. Os passageiros vão acionar a empresa juridicamente.



Eu me faço uma pergunta: para que serve a ANAC? Precisamos de respostas rápidas e menos desculpas esfarrapadas. Já passei por situações semelhantes e observo que há um pacto de silêncio da ANAC em relação aos demandos das empresas aéreas. O Consumidor a cada dia se sente mais desprotegido. Só quem já passou por essas situações é quem sabem o que é descaso.
 
Mário Ney Corrêa Anastácio em 02/05/2012 04:16:16
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