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20/04/2015 11:32

Produtores gastam 20% a menos para produzir gado no Pantanal de MS

Priscilla Peres
Fazendeiros se reuniram no Pantanal para debater o assunto. (Foto: Divulgação/Assessoria)Fazendeiros se reuniram no Pantanal para debater o assunto. (Foto: Divulgação/Assessoria)

Produzir gado no Pantanal pode ter mais vantagens do que se imagina. Isso porque além da água em abundância, o elevado índice de pH no solo reduz os custos de produção em até 20%, quando comparado a outras regiões. Esse indicador verifica a acidez e fertilidade do solo para a criação de animais.

Segundo os criadores o índice de pH considerado ideal para o plantio da pastagem deve estar entre 5,5 e 6,5. Em diversas regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul o número não passa de 5,0, enquanto que no território corumbaense, a Fazenda Aroeiras registra pH de 7,5. “É um índice extremamente positivo que diminui o custo de produção, uma vez que ele dispensa a reforma da pastagem de forma constante. E ainda nos favorece com a pastagem nativa que chegam a durar cerca de 40 anos, sem necessidade de adubação”, esclarece o diretor da Fazenda, Guilherme Falzoni.

Pecuaristas de sete estados debateram o assunto durante o 3º Circuito Geneplus Embrapa que concluiu as atividades na sexta-feira (17) com 40 participantes, na sede da Fazenda Aroeiras NSA, em Corumbá (MS). Muitos deram exemplos de seus empreendimentos e resultados de investimento no Pantanal.

De acordo com o proprietário da Fazenda Cachoeirão, Nedson Pereira, criador em Bandeirantes, seu custo de produção que atualmente se aproxima dos R$ 23 por cabeça ao mês, não passaria dos R$ 20 caso produzisse na região do Pantanal. “O clima da região é menos favorável para procriação de carrapatos e doenças, o que eliminaria os custos com remédios. Além disso, o solo fértil diminui a necessidade de insumos para o desenvolvimento do capim”, destaca.

Pereira ainda explica que na região onde produz, Bandeirantes, mesmo utilizando integração com lavoura de soja, acabo tendo de complementar a alimentação dos animais três vezes mais de sal mineral em relação ao necessário no Pantanal.

Exemplo - A Fazenda NSA tem sete mil hectares e abriga 4,5 mil cabeças, metade do rebanho da raça nelore Puro de Origem, o que mostra a viabilidade do investimento em genética independente da região.
“Os problemas que temos na região são pontuais, como pragas na pastagem e riscos com predadores, porém driblamos com muito trabalho e contamos com orientações técnicas para o desenvolvimento de carne de qualidade”, afirma Falzoni, fazendo referência do Programa de Melhoramento Genético Geneplus.

O pesquisador do Programa Leonardo Nieto enfatizou durante o evento a produtividade da região, o desempenho profissional e a necessidade de avaliação técnica. “O Pantanal conta com profissionais culturalmente capacitados para o avanço da pecuária e um solo que permite expressar o potencial genético dos animais. Apesar de positivo o momento da pecuária pantaneira, ainda vamos avançar muito na avaliação dos animais e mantermos a região como referência na produção de proteína vermelha”, finaliza o técnico do Geneplus – Embrapa Gado de Corte.

Seis propriedades rurais foram visitadas durante o 3º Circuito Geneplus Embrapa em Mato Grosso do Sul. No total foram cerca de 85 participantes, entre criadores e técnicos do setor, que decidirão o calendário e a programação da próxima edição do evento que deverá percorrer fazendas de Goiás ou Mato Grosso.



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