Governo lança campanha sobre atendimento no SUS a dependentes das Bets
Ação explica sinais de risco, como é acesso a consultas pela internet e o bloqueio voluntário das contas
Pessoas que gastam mais do que pretendiam ou não conseguem parar de apostar podem procurar atendimento gratuito e sigiloso pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O serviço também está disponível para familiares que sofrem com as consequências das apostas.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O Ministério da Saúde lançou a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online, que orienta pessoas com dificuldade de controlar gastos em jogos a buscar atendimento gratuito e sigiloso pelo SUS, inclusive por familiares afetados. O serviço pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital ou em unidades de saúde. O governo também permite o bloqueio voluntário de contas em plataformas autorizadas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, vinculada ao Ministério da Fazenda.
A orientação faz parte da Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online, lançada pelo Ministério da Saúde e divulgada na televisão, no rádio e nas redes sociais. A iniciativa busca mostrar que o problema não se resume à perda de dinheiro e pode afetar a saúde mental, o sono, a rotina de trabalho e as relações familiares.
Segundo o ministério, as plataformas usam notificações, bônus, apostas em tempo real e recompensas imprevisíveis para estimular o usuário a continuar jogando. A facilidade de acesso, inclusive pelo celular durante 24 horas, pode fazer com que a pessoa permaneça conectada por mais tempo e gaste além do planejado.
O chamado Transtorno do Jogo é reconhecido como um comportamento aditivo pela CID (Classificação Internacional de Doenças) e pelo manual de diagnóstico de transtornos mentais. Estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) indica que o problema atinge cerca de 1,2% da população adulta mundial.
Como pedir atendimento pelo celular
O primeiro passo pode ser feito pelo Meu SUS Digital, no aplicativo ou na versão para computador.
Depois de entrar com a conta gov.br, o usuário deve selecionar a opção “Miniapps” e clicar em “Problemas com jogos de apostas?”. Em seguida, precisa responder a um questionário que avalia sua relação com as apostas.
Quando o resultado aponta risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento especializado é realizado automaticamente. O serviço é sigiloso e pode ser utilizado tanto pelo apostador quanto por seus familiares.
Nos casos em que o questionário não identifica risco elevado, o sistema apresenta orientações sobre os serviços da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial).
Quem não quiser ou não conseguir utilizar o atendimento digital pode procurar diretamente uma UBS (Unidade Básica de Saúde). No local, a equipe realiza o acolhimento e uma avaliação inicial.
Quando houver necessidade de acompanhamento especializado, o paciente poderá ser encaminhado a um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), onde o tratamento é feito por uma equipe com profissionais de diferentes áreas.
Sinais de que é hora de procurar ajuda
O alerta deve ser ligado quando a pessoa passa a apostar por mais tempo ou gastar mais do que havia planejado. Pensar frequentemente nos jogos, esconder prejuízos e apresentar mudanças no sono, no humor, na rotina ou nos relacionamentos também indica que a situação pode ter saído do controle.
Não é preciso esperar que as dívidas se acumulem para buscar atendimento. Familiares também podem procurar o SUS para receber orientação sobre como lidar com o problema.
Governo permite bloquear contas de apostas
Além do tratamento de saúde, o usuário pode pedir o bloqueio voluntário de suas contas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, mantida pelo Ministério da Fazenda.
A ferramenta bloqueia as contas existentes nas empresas autorizadas, impede novos cadastros com o mesmo CPF e interrompe o envio de publicidade direcionada pelas casas de apostas. As empresas têm até 72 horas para cumprir o bloqueio.
Para fazer o pedido, é necessário entrar no sistema com uma conta gov.br de nível prata ou ouro e escolher o período de afastamento. O prazo pode variar de um a 12 meses ou ser indeterminado.
Nos bloqueios com prazo definido, a decisão não pode ser cancelada antes do término do período escolhido. Quando a autoexclusão é por tempo indeterminado, a retirada do bloqueio só pode ser solicitada depois de 12 meses.
A medida vale apenas para plataformas autorizadas pelo Governo Federal. Portanto, não impede tecnicamente o acesso a páginas ilegais ou não regulamentadas.


