Hospital homenageia doadoras de leite e reforça ajuda a bebês prematuros
HU tem apenas 76% da produção necessária para atender recém-nascidos e pede mais doações

O Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) realizou nesta quinta-feira (28) uma programação especial em homenagem às mulheres que doam leite humano para recém-nascidos internados na unidade. Durante o evento, o Banco de Leite Humano também alertou para a necessidade de ampliar o número de doadoras, já que o estoque atual dura, em média, apenas dez dias.
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O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian realizou uma programação especial em homenagem às doadoras de leite humano e alertou para a necessidade de ampliar o número de cadastradas. O estoque atual dura apenas dez dias, com 80 mães cadastradas atendendo 76,1% da demanda. O hospital recebe 56 litros por mês, quantidade insuficiente para os bebês internados. Para doar, basta contatar o Banco de Leite do Humap.
A ação foi promovida em alusão ao Dia Mundial da Doação de Leite Humano, celebrado em 19 de maio, e reuniu mães doadoras e receptoras em uma tarde de acolhimento, apresentações, sorteios e orientações sobre o processo de doação.
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Segundo a nutricionista do Banco de Leite Humano do Humap-UFMS, Fabiana Santos Araújo, atualmente cerca de 80 mães estão cadastradas no serviço, mas a quantidade arrecadada atende apenas cerca de 76,1% da demanda da unidade neonatal.
Fabiana explicou que o hospital recebe, em média, 56 litros de leite por mês, quantidade considerada insuficiente diante do número de bebês internados. O Humap é referência para atendimento neonatal e recebe recém-nascidos de várias cidades de Mato Grosso do Sul.
“O melhor leite para o recém-nascido prematuro é o da mãe. A gente só vai utilizar mesmo no banco quando não tiver essa produção para que possa atingir a dieta do bebê”, explicou.

Durante a programação, mães doadoras puderam visitar uma das alas neonatais do hospital. Na unidade intermediária, onde estavam 12 bebês internados, apenas duas mães conseguiam produzir leite suficiente para alimentar os próprios filhos. Os demais dependiam de doações e um dos recém-nascidos ainda recebia alimentação por soro devido à prematuridade extrema.
A equipe do banco de leite também destacou que a redução ou ausência da produção de leite nem sempre está relacionada à falta de vontade da mãe em amamentar. Situações emocionais, cansaço e o longo período de internação dos bebês podem afetar diretamente a lactação.
Foi o caso do pequeno Arthur, que ficou internado por seis meses no hospital. Durante esse período, a mãe deixou de produzir leite e o bebê passou a depender exclusivamente das doações. Hoje, ele tem seis anos e está saudável.
A dona de casa Renata Camargo Moura, de 34 anos, é uma das mães cadastradas como doadora. Ela começou a frequentar o Banco de Leite quando o filho Henri, hoje com nove meses, precisou ficar internado após o nascimento.

“Eu vinha duas vezes ao dia para tirar leite para ele receber pela sondinha durante o dia. Quando ele teve alta, a gente continuou a doação em casa”, contou.
Ela afirma que a experiência de conviver com outras mães durante a internação do filho motivou a continuidade das doações. Segundo Renata, o processo é simples e acompanhado pela equipe do hospital. O Banco de Leite fornece os materiais esterilizados e o Corpo de Bombeiros faz a coleta diretamente nas casas das doadoras.
A dona de casa Georgina Moraes Nascimento, de 26 anos, também participou do encontro. O filho dela está internado há sete dias no hospital e precisou receber leite doado nos primeiros dias de vida.
“Como eu fiz cesárea com laqueadura, fiquei internada em outro lugar e ele veio direto para a UTI. Eu não consegui tirar leite porque ainda não tinha feito massagem pra descer, eu só consegui fazer dois dias depois”, contou.
Ela explicou que recebeu apoio da equipe do banco de leite para estimular a produção, que a ensinou como fazer a massagem. Depois, o leite começou a sair em maior quantidade. Georgina também destacou que muitas mulheres enfrentam dificuldades reais para amamentar.
“Muitas mães também não têm leite. Por mais que tentem, saem apenas gotas. Então não é falta de vontade. Às vezes, o corpo da mulher não consegue mesmo produzir, e a criança precisa dele”, afirmou.
Para se tornar doadora, a mãe deve entrar em contato com o Banco de Leite do Humap. O hospital fornece frascos esterilizados, touca, máscara e orientações sobre higienização e extração correta do leite. Os recipientes indicados para armazenamento são potes de vidro com tampa plástica.
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