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Confusão sobre extensão do Pantanal gera prejuízo ao turismo

Por Paulo Nonato de Souza | 20/08/2020 07:21
Este ano, segundo a VisitPantanal, os incêndios no Pantanal Sul estão concentrados em Corumbá e principalmente na Serra do Amolar, já na divisa com Mato Grosso (Foto: Divulgação)
Este ano, segundo a VisitPantanal, os incêndios no Pantanal Sul estão concentrados em Corumbá e principalmente na Serra do Amolar, já na divisa com Mato Grosso (Foto: Divulgação)

A retomada do turismo no Pantanal, em junho, depois de quase quatro meses de paralisação por conta da pandemia de coronavírus, teve uma situação que todos os anos provocam danos e prejuízos: os incêndios florestais. Só que este ano, o impacto sobre as atrações turísticas da região, acostumada a receber turistas de todas as partes do mundo para contemplar a diversidade do seu ecossistema, se soma aos efeitos da Covid-19.

Mas os efeitos negativos dos incêndios no turismo pantaneiro em 2020, pelo menos na parte sul-mato-grossense, estão muito mais relacionados à repercussão da cobertura da mídia e na confusão que se faz sobre a extensão da área do Pantanal, segundo Cristina Moreira Bastos, presidente da Associação VisitPantanal, entidade com sede em Miranda, cidade conhecida como Portal do Pantanal.

“Estamos sendo impactados sim, mas muito mais porque as pessoas de fora não entendem que o Pantanal é uma área imensa com mais de 250 mil quilômetros quadrados de extensão. Não sabem que são vários Pantanais, e da maneira como a mídia divulga os incêndios passa a ideia de que todo o Pantanal esta em chamas, porém, a realidade não é essa”, disse Cristina.

Ela afirmou que a região afetada pelas queimadas fica em Corumbá e, principalmente, na Serra do Amolar, já na divisa com Mato Grosso, e não afeta o Pantanal do Rio Negro, Nabileque, Nhecolândia e Paiaguás, onde se concentra a maior parte das reservas dos turistas.

“Nada disso está queimando. Nesta parte do Pantanal a situação está bem tranquila. Mas, se fazem confusão sobre os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, imagine então sobre o Pantanal. Ontem mesmo recebi por e-mail uma consulta sobre passeios em Bonito (MS), solicitei que a pessoa me passasse a sua localização e ela me passou o endereço de uma pousada no Mato Grosso”, ressaltou.

A situação está tranquila no Pantanal do Rio Negro, Nabileque, Nhecolândia e Paiaguás, garante a VisitPantanal (Foto: Divulgação)
A situação está tranquila no Pantanal do Rio Negro, Nabileque, Nhecolândia e Paiaguás, garante a VisitPantanal (Foto: Divulgação)

A presidente da VisitPantanal lembrou que em 2020, diferente do que aconteceu no ano passado, os incêndios estão mais concentrados na parte mato-grossense do Pantanal. Em 2019 os incêndios atingiram diretamente áreas próximas aos atrativos turísticos da parte sul-mato-grossense, provocando cancelamento de reservas em hotéis e pousadas. “Este ano, até agora não tivemos nenhum cancelamento”, garantiu Cristina.

As chuvas da semana passada nos municípios de Corumbá e Ladário, localizados no centro do Pantanal sul-mato-grossense, deram um alívio nas queimadas, após um mês e meio de seca e trabalho intenso no combate aos incêndios, que reuniu Exército, Força Aérea, Marinha, Corpo de Bombeiros e brigadistas do Prevfogo/Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Em Corumbá, o fogo que se alastrou em várias fazendas localizadas à beira da MS-228, mais conhecida como Estrada-Parque, uma das principais atrações turísticas da região, deixou um rastro de destruição, incluindo uma das pontes de madeira da estrada.

No Mato Grosso, o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Luís Carlos Nigro, avalia que todas as 63 pousadas da região do Pantanal mato-grossense apresentam prejuízos expressivos.

"A taxa de ocupação até agora está em 5,30%, e foi registrado uma queda de faturamento de mais de 90% no setor. Para 2021 é possível que tenhamos um grande comprometimento no turismo da região com um cancelamento ainda maior por conta da gravidade dos incêndios", diz Nigro em nota divulgada pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

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