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De moto, uma alternativa de viagem segura na pandemia

Por Paulo Nonato de Souza | 08/09/2020 08:13
Firmo Henrique Alves, à esquerda, garante que viajar de moto não é melhor nem pior, mas é diferente (Foto: Arquivo pessoal)
Firmo Henrique Alves, à esquerda, garante que viajar de moto não é melhor nem pior, mas é diferente (Foto: Arquivo pessoal)

Em tempo de pandemia e recomendações de viagens rodoviárias para destinos próximos com deslocamentos de no máximo três horas e a maior distância que puder de outras pessoas, subir em uma mota e sair pelas estradas pode ser uma boa alternativa de passeio ao ar livre, como sugerem os protocolos de prevenção contra o coronavírus.

Levando em conta que viajar sozinho faz parte da essência do verdadeiro motociclista, como diz o aventureiro Mauro Coutinho Damasceno no livro “Na solidão do meu capacete”, montado em sua motocicleta a recomendação de distanciamento só não será cumprida se levar alguém na garupa ou se a viagem for em grupo de amigos.

As viagens solo e a busca de destinos de natureza são tendências do turismo no pós-pandemia que já fazem parte da realidade. Neste caso, segundo os apaixonados pelo motociclismo, viajar de moto significa mais do que observar a paisagem, mas se sentir parte dela.

“Andar de moto é como estar inserido na própria natureza, sentindo o vento, o sol, é o sentido da liberdade que as aves sentem e os humanos almejam”, disse a campo-grandense Selma Barros, motociclista desde a adolescência e já bastante experiente em pegar estradas em cima de motos. “É a experiência de sair das suas próprias limitações”, ressaltou ela.

A campo-grandense Selma Barros, motociclista desde a adolescência, já é experiente em pegar estradas em cima de uma moto (Foto: Arquivo pessoal)
A campo-grandense Selma Barros, motociclista desde a adolescência, já é experiente em pegar estradas em cima de uma moto (Foto: Arquivo pessoal)

Se você está decidido a ir para a estrada, apenas não esqueça de levar em conta que estamos em um novo momento, onde a cautela e o planejamento para uma viagem segura de moto inclui novos itens fundamentais, como o uso de máscaras de proteção, higienização das mãos, do capacete e até da motocicleta com álcool em gel.

Sãos itens de segurança pessoal, tão importantes como fazer uma avaliação médica sobre suas condições físicas para suportar a viagem em cima de uma moto, se assegurar de pontos de paradas para abastecimento, descanso e revisão mecânica para verificar se a moto está em boas condições e pronta para a estrada.

Feito tudo isso, restará vestir suas roupas de motociclista, verificar se a viseira do seu capacete tem boa visibilidade e partir para o destino que escolher. Ah, em cada parada, não esqueça de alongar as pernas e o resto do corpo, porque isso ajuda a prevenir dores por ficar muito tempo na mesma posição.

“Em Mato Grosso do Sul temos rotas muitos legais e diferentes, todas asfaltadas, postos de gasolina não ultrapassando os 200 km, detalhe muito importante para o motociclista, considerando que a moto é bem diferente do carro. Com um carro você roda o máximo que puder antes de uma parada, mas de moto não funciona assim”, disse o presidente da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), o campo-grandense Firmo Henrique Alves.

Segundo Firmo, são pelo menos 8 rotas sul-mato-grossenses com lugares inesquecíveis.  Veja abaixo as dicas do presidente da CBM:

1 - Rota do Cone-Sul:

São 487 km pela rodovia BR-163. Partindo de Campo Grande você passa por Dourados, depois Naviraí até Mundo Novo, já na divisa com o Paraná. É uma rota que te leva a visitar outro estado, o Paraná.

De Mundo Novo você segue mais 24 km, atravessa a ponte do rio Paraguai e já estará em Guaíra, do lado paranaense. Fora da pandemia, outra boa opção é dar uma esticada até Salto del Guairá, no lado do Paraguai, e aproveitar para fazer compras.

2 - Rota do Leste de Mato Grosso do Sul:

Se você quiser circular pelos lados da região leste de Mato Grosso do Sul irá cruzar com belas paisagens, desde Campo Grande, depois Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas.  É uma região com vários atrativos, como a represa da CESP (Companhia Energética de São Paulo), o Rio Sucuriú e várias praias para curtir o sol e se divertir.

3 - Rota das cachoeiras de Costa Rica:

A região norte de Mato Grosso do Sul tem muitos atrativos que fazem valer a pena subir na moto e pegar a estrada. Sentido Costa Rica, por exemplo, você vai passar por estradas tranquilas, quase sem movimento.

Partindo de Campo Grande você chega no Posto São Pedro e pega à direita para Camapuã, depois Paraíso das Águas e Chapadão do Sul antes curtir os belos parques e as belas cachoeiras de Costa Rica, como a cachoeira Salto Majestoso que fica em um parque dentro da cidade, além de poder acampar e curtir a natureza.

4 – De Campo Grande para Sonora:

Campo Grande a Sonora também é uma rota de 362 km bastante legal de fazer. Sonora é a última cidade da região norte de Mato Grosso do Sul, já na divisa com Mato Grosso.   Mas antes você passa por São Gabriel do Oeste, Rio Verde e Coxim, que são cidades com seus atrativos naturais, como rios, cachoeiras e opções de camping para acampar, principalmente Rio Verde e Coxim.

5 - Rota do Pantanal até Corumbá:

Saindo de Campo Grande pela BR-262 a primeira cidade é Aquidauana, depois Miranda, e você já estará na região do Pantanal.  Depois de Miranda, se você quiser sair do conforto da rodovia e se aventurar na natureza a opção é pegar a Estrada Parque com 116 km e 74 ponte de madeira pela frente. Não é nada fácil, mas é algo diferente de fazer e vale a pena porque você tem a oportunidade de conhecer o Pantanal por dentro dele.

Antes de entrar na Estrada Parque tem um posto de gasolina, bem no começo, e no caminho é possível encontrar apoios de venda de gasolina, comida e até hospedagem. A travessia do rio Paraguai é por balsa e já na reta final antes de chegar em Corumbá. Nessa rota, se quiser também há a opção de conhecer as cachoeiras de Bodoquena. Seguindo pela rodovia pega sentido à direita ao chegar em Miranda.

6 - Rota de Porto Murtinho:

A rota sudoeste é bem legal também, mas é onde você tem o maior trecho sem parada de postos de gasolina. Parte de Campo Grande e vai a Sidrolândia, depois Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim até Porto Murtinho.

O problema da falta de lugar de parada é no trecho entre Jardim e Porto Murtinho, e são 203 km de distância entre as duas cidades, algo complicado para quem viaja de moto.

Não é fácil rodar 200 km sem parada, mas chegar em Porto Murtinho vale a pena. Lá você tem a oportunidade de passear de barco no Rio Paraguai e conhecer as belezas naturais da região.

7 - De Campo Grande para Ponta Porã e Pedro Juan:

São duas opções para você chegar ao seu destino. Pela BR-163 até Dourados e depois pela BR-164. É uma rota mais tranquila de fazer, tem acostamentos mais seguros, além de viajar em linha reta com diversos lugares interessantes de paradas.

A outra opção de viagem é por Sidrolândia, chegando até Maracaju e pegando à direita da rodovia o sentido Ponta Porã. Por conta da pandemia não há permissão para cruzar a fronteira, o que significa não poder fazer compras do lado paraguaio, mas em temos normais você pode dar uma esticada rumo a Assunção. São 455 km de viagem até a capital paraguaia.

8 - De Campo Grande para Bonito:

Atrativos da natureza não faltam, são muitos, cada um mais interessante que o outro. Não por acaso é dos principais destinos de ecoturismo do mundo.  São 300 km de estradas asfaltadas e você pode fazer a viagem em 4 horas, parando na estrada e descansando.

No caminho por Sidrolândia, a BR-060, são vários lugares de parada para descanso. Além de Sidrolândia, a 60 km de Campo Grande, tem Nioaque, depois Guia Lopes e Jardim antes de chegar em Bonito.

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