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Hora de mostrar o turismo local para quem é de casa

Por Paulo Nonato de Souza | 30/06/2020 07:12
A retomada do turisno tem novos conceitos, não apenas de comportamento contra o vírus, mas também de gestão, que será focada no visitante doméstico (Arte: Fundtur/Divulgação)
A retomada do turisno tem novos conceitos, não apenas de comportamento contra o vírus, mas também de gestão, que será focada no visitante doméstico (Arte: Fundtur/Divulgação)

A indústria do turismo começa a se movimentar, mas ainda não se sabe quando será possível a recuperação total dos impactos da pandemia do coronavírus. Os caminhos estão sendo abertos com retomada gradual e sob condições protocolares de biossegurança, via visitantes domésticos: locais e regionais.

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o município de Miranda, distante 208 Km de Campo Grande, conhecido como Portal do Pantanal, foi o primeiro a reabrir seus atrativos turísticos, desde o dia 15 deste mês, e a partir desta quarta-feira, 01 de julho, será a vez de Bonito, Jardim e Bodoquena retomarem suas atividades.

O retorno com novos conceitos, não apenas de comportamento contra o vírus, mas também de gestão, tem o visitante doméstico como personagem principal. Os descontos estão entre 10% e 50% em atrativos na região do Pantanal e até 60% para visitantes sul-mato-grossenses, nativos ou residentes, em atrativos de Bonito, valendo desde a retomada até o fim de 2020 e para o ano inteiro de 2021.

“O brasileiro não conhece o Brasil, não conhece a sua história. Os cidadãos têm de se conscientizar para conhecer os pontos turísticos e as atrações de onde moram, mas as cidades se divulgam muito mal. As secretarias de Turismo deveriam divulgar e mostrar seus pontos e marcos históricos”. A avaliação do fundador da operadora CVC, Guilherme Paulus, durante evento do Convention & Visitors Bureau de Joinville (SC), em setembro de 2018, está mais do que atual neste momento de dificuldade do setor.

O exemplo da China – Quem nunca ouviu dizer que o sul-mato-grossense não conhece Bonito nem o Pantanal? Talvez isso mude com mais investimentos dos empresários focados no turista local. A mudança de atitude que se espera para amenizar a crise não se trata de uma iniciativa local ou nacional. A aposta no turismo doméstico é uma ideia inspirada no que aconteceu na China, país de origem da pandemia.

Na China, segundo dados da STR, empresa especializada em avaliação comparativa, análise e percepção de mercado para a hotelaria em nível mundial, a maioria dos hotéis chineses fechados pela pandemia reabriu após dois meses e com recuperação liderada pelo turismo doméstico.

Também por aqui a expectativa é de que as viagens domésticas sejam a base para a reconstrução da atividade turística, considerando as preocupações sobre saúde e a percepção de segurança dos viajantes. A retomada gradual e com novas regras e hábitos para turistas e para os empresários do setor, inclui diferentes tipos de protocolos estabelecidos para cada segmento, como os receptivos, trilhas, hotéis, restaurantes, passeios de cachoeira, flutuação, enfim, cada qual com suas regras de proteção contra o coronavírus.

O presidente da Fundtur (Fundação Estadual de Turismo), Bruno Wendling, acredita que a aposta no turismo doméstico vai funcionar em Mato Grosso do Sul. “Vai sim, até porque 80% do nosso fluxo já era doméstico, e creio que dará certo, claro, com a pandemia controlada, e esforço conjunto do setor para promoção. Penso que o turismo rodoviário terá um bom crescimento”, avaliou.

Várias pesquisas realizadas por grandes operadoras e organismos do turismo indicaram retomada do setor agora no segundo semestre. O estudo “Oferta de Disponibilidade Hoteleira”, uma pesquisa realizada em março pelo Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), por exemplo, revelou que 83% dos empreendimentos entrevistados estimam o retorno de suas operações a partir de julho.

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