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20/11/2014 08:53

A consciência do pertencimento étnico

Por Rosildo Barcellos (*)

Cientificamente falando, na conquista de espaço, inclusive no se fazer respeitar, a violência se opõe à diplomacia e com isso, o indivíduo que consegue controlar seus impulsos são cidadãos denominados pacificadores. Entretanto para se chegar a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra, houve muita luta. Aliás para se chegar a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabeleceu que, a partir daquele ano, o dia 20 de novembro passasse a ser uma data para celebrar o sobredito dia, e que foi uma luta para se lembrar da luta. Uma vez que foi(considerado) neste dia, no ano de 1695, que Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, depois de buscar a defesa da cultura e da liberdade, morreu em combate, liderando seu povo e sua comunidade.

Não há dúvida de que a criação desta data foi muito importante, pois, além de servir como um momento de conscientização sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional serve para a reflexão sobre a colaboração dos africanos, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É certo que o grande debate atual é sobre as alternativas de um desenvolvimento sustentável e a superação dos conflitos étnicos e as desigualdades alinhavadas pela resistência de valores dos povos e fundamentadas no clamor pela equidade.

Justifica-se ser um momento perfeito de buscar a pauta pela discussão de políticas educacionais voltadas à qualificação e preparação dos indivíduos para a vida em sociedade, não somente de indígenas, caboclos, pardos, negros, mulatos, mamelucos e cafuzos mas discutir o papel da sociedade perante a formação das crianças neste ambiente com vistas ao nosso próprio futuro. Muitos filósofos, desde Aristóteles já nos atiçavam para uma consciência de como conduzir nossas crianças para que futuramente estas se tornem homens de bem, mas o que estamos fazendo é tudo ao contrário: enquanto a família, base que devia contribuir com a formação consciente dos indivíduos, submete a criança e adolescente a um levante de violência psicológica e física, a sociedade os provoca a ser o que não são. Estigmatizados descobrem nas drogas e, posteriormente, na violência uma suposta solução para seus conflitos, rancores e penares, multiplicando os seus ais.

José do Patrocínio, Machado de Assis, João Cândido, Zumbi e tantas outras personalidades brasileiras, mostraram que, a cor não é fator obnubilador para a convivência igualitária entre os homens. Realmente, a união, a paz e respeito mútuo são o que devem prevalecer, independente da classe social e da origem racial, ainda mais no nosso país, onde a miscigenação é a marca do nosso povo. No Brasil o preconceito racial também aponta para o preconceito de classes, por isto não podemos deixar este dia se tornar agenda de eventos; e sim, mais um dia de reflexão pois a democracia também depende de nossos atos.

(*) Rosildo Barcellos, articulista

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