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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Novembro de 2019

16/10/2019 14:54

A humanidade e o poder

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Para enfrentar a limitação de recursos da natureza, os humanos têm que superar o egoísmo e encarar a vida com seriedade e solidariedade, estabelecendo metas de continuada melhora das condições gerais de vida, visando o progresso e a paz. Quem realmente está empenhado na melhora da qualidade da humanidade? Tudo está decaindo sob a ilusão do falso progresso que na verdade rebaixa tudo. Os dirigentes dizem agora que o orçamento público está apertado, mas a destruição da natureza e dos rios e mares ocorre há décadas. Rios maravilhosos, que alimentavam a população, tinham água potável, a grande riqueza que sustenta a vida, e eram vias de transporte. Atualmente, esses rios estão poluídos, sujos fétidos, e representam a grande estupidez da humanidade que depende da natureza para ter boa qualidade de vida.

Cada ser humano sentia-se responsável pelo futuro do mundo examinando as causas e consequências. Hoje poucos ainda olham para isso. Como massa entorpecida, o povo vê o mal e a decadência se alastrarem, mas não reage mais. A cada ano que passa aumenta o risco de soçobro da humanidade. A cobiça de poder sobe à cabeça. O ódio contido ameaça extravasar. A inquietação e a depressão se tornam doenças epidêmicas que se espalham pelo mundo. Temos que aprender a enfrentar turbulências até achar a serenidade do céu azul, saber traçar uma rota que escape da tormenta que se avizinha, protegendo a liberdade, a individualidade, o bom preparo de pais e mães para que surjam gerações fortes aptas e dispostas a construir um mundo melhor.

No Brasil, estamos entre os poderosos Banco do Mundo (EUA) e Fábrica do Mundo (China). Ambos visam vantagens para eles próprios. Ambos requerem governantes sábios que saibam obter bons resultados sem comprometer sua autonomia e futuro, sem entregar suas riquezas para benefício de outros como têm feito até agora. Há no mundo uma grande complicação. No ocidente, os trustes e monopólios exercem forte influência em tudo. Na China, o Partido Comunista controla tudo.

O Banco do Mundo nos fez dependentes do dólar para tudo, mas com o surgimento da Fábrica do Mundo, cujos custos são imbatíveis, ocorreu um desequilíbrio geral nos empregos, renda e precarização. No Brasil, com pouca indústria, o dinheiro sumiu. O país exporta commodities, importa tudo pronto e remete dólares. Com isso, a circulação se reduz à importação e comercialização. Quem sabe a projetada inclusão da população da China no consumo possa dar um ajuste, mas o que o Brasil poderia produzir para os chineses e gerar empregos internos? Sem solucionar essa questão, a estagnação econômica não vai encontrar seu limite.

Produzir, gerar empregos, pagar impostos, ter lucro e distribuir dividendo estão se tornando cada vez mais difíceis neste mundo competitivo e desleal. A produção mundial ficou concentrada em grupos que dispõem de mão de obra de baixo custo, automação e monopólio. A economia se tornou luta desenfreada devido à ganância dos homens que a desequilibraram e extinguiram a consideração e a solidariedade. O dinheiro se tornou a prioridade obsessiva em escala mundial. No Brasil, é importante que os trabalhadores não se deixem contaminar pelo ódio e se esforcem para executar suas tarefas com atenção e responsabilidade.

O país precisa resolver seus problemas, acabar com essa miséria desumana. Tem de manter a livre iniciativa, embora a economia mundial esteja desarrumada com o confronto entre livre mercado e capitalismo de Estado. Os empregos foram desaparecendo, a renda caindo, mas não o custo de vida, acarretando estagnação e a continuada precarização geral. Com a elevação da dívida, o governo não conseguiu recircular o dinheiro, e quando o fez, ampliou o consumo de importados. Resolver esse desequilíbrio é o grande desafio.

Lao-Tse, assim como Buda e Zoroastro, foi um dos mestres abnegados que no seu tempo ofereceu aos seres humanos, emaranhados em seus erros, degraus do saber sobre a origem e o significado da vida. Confúcio também apresentou explicações sobre a vida, mas sua filosofia pragmática punha de lado a amplitude espiritual, o que acabou criando confusão sobre a real finalidade da vida. Assim, a indicação da escada da elevação acabou sendo perdida pelas teorias ligadas aos interesses materialistas, estagnando a evolução da humanidade.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida.

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