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A Importância do Dia Internacional da Síndrome de Asperger

Por Carolina Cangemi Gregorutti (*) | 19/02/2024 09:00

Ontem, 18 de fevereiro, o mundo voltava sua atenção para a Síndrome de Asperger, uma condição do espectro do autismo que pode afetar a forma como pessoas percebem e interagem com o mundo ao seu redor. Esta data não é apenas um lembrete da existência dessas pessoas, mas também uma oportunidade para dar visibilidade e promover a conscientização e a compreensão sobre suas experiências únicas.

Ressalta-se que desde 2013 com a publicação da 5ª Edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, ela passou a ser reconhecida como parte do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) como nível 1 de funcionamento/suporte. Portanto, torna-se crucial reconhecer que ela não é uma doença a ser curada, mas sim uma parte integral da identidade de quem a possui.

Ao pensarmos na pessoa com a Síndrome de Asperger, podemos encontrar características específicas, tais como dificuldades em entender e participar de interações sociais de maneira típica, o que pode incluir dificuldades em iniciar ou manter conversas e compreender as emoções dos outros. Ou ainda, pessoas com comportamentos repetitivos ou estereotipados, com aderência a rotinas rígidas ou interesses intensos em áreas específicas.

Uma outra característica presente e pouco divulgada são as sensibilidades sensoriais intensas, o que significa que elas podem ser hiper ou hipossensíveis a estímulos sensoriais como luz, som, toque, cheiro e sabor, afetando diretamente sua capacidade de se concentrar, interagir com o ambiente e regular suas emoções.

Desta maneira, torna-se importante ressaltar que as características da Síndrome de Asperger podem variar amplamente de pessoa para pessoa e podem se sobrepor a outros transtornos ou condições médicas e, neste sentido, o diagnóstico pode ser tardio e requer uma avaliação abrangente e realizada por profissionais qualificados, como psicólogos, psiquiatras ou neuropediatras, que considerem não apenas os sintomas apresentados, mas também o contexto individual e as necessidades da pessoa, levando em consideração o olhar da família e de todo o entorno delas.

A conscientização deste dia destaca ainda a importância de aceitar e valorizar a neurodiversidade em nossa sociedade. Cada pessoa, independentemente de suas peculiaridades, merece respeito. Infelizmente, ainda há uma falta de entendimento generalizada sobre essa condição, levando a atitudes discriminatórias e exclusão social. Ao educar o público sobre as características e desafios enfrentados pelas pessoas com Asperger, podemos promover uma cultura de empatia e inclusão.

Outro aspecto fundamental é o apoio e recursos adequados para pessoas com Asperger e suas famílias. A data proporciona uma oportunidade para destacar a importância de serviços de saúde mental acessíveis e de qualidade, bem como programas de educação e emprego que atendam às necessidades específicas dessas pessoas. Investir em intervenções precoces e apoio contínuo pode fazer uma diferença significativa na vida dessas pessoas, capacitando-as a alcançar seu pleno potencial.

Além disso, a acessibilidade cultural para pessoas com Síndrome de Asperger é essencial para garantir que elas possam desfrutar plenamente de atividades culturais e de lazer como cinema, teatro, música, arte e outros eventos.

Esta data também é uma chance para promover a divulgação da pesquisa e do desenvolvimento de melhores estratégias de apoio. A compreensão científica sobre o TEA está em constante evolução, e é fundamental continuar investindo em estudos que ajudem a identificar intervenções eficazes, bem como a entender melhor as causas subjacentes da condição.

Em suma, o Dia Internacional da Síndrome de Asperger é muito mais do que apenas uma data no calendário; é um lembrete importante da necessidade de conscientização, compreensão e suporte para pessoas com Asperger e suas famílias. Ao reconhecer e valorizar a neurodiversidade, podemos construir uma sociedade mais inclusiva, onde todos tenham a oportunidade de prosperar e contribuir plenamente.

(*) Carolina Cangemi Gregorutti é professora da Universidade de Brasília.

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