A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

03/04/2017 15:39

A minha (e a sua) escolha faz a diferença no trânsito

Por Márcia Pontes (*)

Na vida você sempre faz escolhas: escolhe uma carreira, escolhe alguém para ficar ao seu lado, escolhe um lugar para morar, o nome dos filhos, escolhe o time que vai torcer. Escolhe o bicho de estimação, o carro que vai dirigir e até a cor do carro que vai dirigir. Você escolhe os amigos, escolhe para onde viajar…

Da mesma forma, há outras escolhas que podem mudar os rumos da sua vida e da vida de outras pessoas e que trazem consequências: você escolhe digitar ou não enquanto dirige, falar ou não ao celular enquanto dirige, você escolhe se vai ou não beber antes de pegar o volante.

Você escolhe a velocidade do seu carro, escolhe se vai obedecer ou não as regras de trânsito; escolhe se vai colocar ou não a sua vida dos outros em risco; machucar, entristecer, deixar nas pessoas marcas dolorosas para o resto de suas vidas. Tudo é consequência das escolhas que você faz. Da próxima vez que você dirigir, o que vai escolher?

O texto acima é o do vídeo oficial do Maio Amarelo 2017 e da campanha Minha Escolha Faz a Diferença no Trânsito, criados pela F&Q Brasil para o Observatório de Segurança Viária, que coordena o Movimento. Sempre por trás daquilo que muitos chamam de “fatalidade”, falta de sorte, ou vontade de Deus, existe uma escolha que se não fosse feita provocaria o acidente, ou provoca como resultado da escolha errada. É esse momento, o da escolha, que vai determinar o que vai acontecer no trânsito, na sua vida e na vida dos outros.

Se eu sou pedestre, posso escolher entre atravessar a rua sobre a faixa ou fora dela e assumir o risco de um atropelamento que vai fazer com que os tribunais brasileiros me sentenciem à responsabilidade pelo próprio acidente, se estiver a menos de 50 metros da faixa.

Se eu sou motociclista e escolho colocar o capacete suspenso na testa, proteger o cotovelo em vez da cabeça ou apenas encaixar a cabeça no equipamento de segurança sem afivelar a tira no queixo, eu vou arcar com as consequências dos meus atos, do traumatismo craniano, da sequela permanente e até da minha morte.

Se eu sou ciclista e escolho pedalar na contramão, sem prudência e sem equipamentos obrigatórios para a minha segurança, serei responsabilizado na exata medida de minha negligência pelo acidente que vai me machucar muito mais do que ao condutor que colidiu de frente com a minha bicicleta.

Se eu sou motorista e escolho atender o celular enquanto dirijo, digitar, ultrapassar em local proibido, acelerar além da velocidade permitida na via, dirigir cansado, com sono ou irritado, com o estado emocional abalado, eu estou assumindo os riscos e as consequências dos meus atos irresponsáveis.

Na vida e no trânsito estamos o tempo todo fazendo escolhas que mudarão para sempre o rumo de nossas histórias e das histórias alheias. Só que no trânsito algumas escolhas trazem muito mais prejuízos do que o mico de ter escolhido errado a cor da blusa que não combinou com a calça ou com o sapato. A escolha errada vai trazer dor, sofrimento, desespero, desengano, abandono, injustiça, vai deixar pais órfãos de seus filhos e estes órfãos de seus pais.

No trânsito, nossas vidas e as nossas escolhas vão mudar destinos. Passamos uns pelos outros nas vias públicas como estranhos, como se não tivéssemos responsabilidade alguma sobre a vida do outro condutor, da gestante ou da criança que ele transporta, quando na verdade, serão as nossas escolhas que vão determinar se nós e se eles completarão a trajetória no trânsito e na vida.

Quantos se foram cedo demais, quantos ainda choram a perda de seus amados por conta de escolhas erradas feitas por eles próprios ou por outras pessoas e que as atingiram em cheio, mudando por completo o rumo de suas vidas?

A minha escolha faz a diferença no trânsito é o tema do Maio Amarelo 2017 na sua 4ª edição e também o tema da Semana Nacional do Trânsito. É um apelo para que seja também o nosso norte, a nossa bússola, o que nos orienta para a tomada de decisões na vida e no volante, no guidom e no pedal.

Que estejamos sempre lúcidos para que façamos sempre a melhor das escolhas: a escolha pela vida, pela prudência, pela responsabilidade, e que tenhamos sempre a dignidade de assumirmos as consequências pelos nossos atos.

E você, o que vai escolher da próxima vez que for dirigir?

(*) Márcia Pontes é educadora de trânsito, escritora e Coordenadora do Movimento Internacional Maio Amarelo em Santa Catarina; realiza um trabalho voluntário de Educação para o Trânsito online nas redes sociais com foco na segurança no trânsito, ética e cidadania; escreve o Blog Aprendendo a Dirigir, voltado à formação significativa de condutores e prevenção de acidentes; é graduada em Segurança no Trânsito pela Unisul e tem especialização em Planejamento e Gestão de Trânsito pela Unicesumar

ICMS e agrotóxicos: um exemplo de lucidez em meio ao caos
O amplo conjunto de ações impostas em 2019 por governantes brasileiros no sentido de fragilizar a proteção ao meio ambiente não tem paralelo na histó...
Compliance: benefícios práticos nas empresas
Um dos principais patrimônios de uma organização é, sem dúvidas, sua reputação, que pode ter impacto tanto positivo como negativo nos negócios. Indep...
Um olho no peixe, outro no gato
O agro brasileiro poderia ser bem mais assertivo em sua comunicação com os mercados, aqui e no exterior. Falar mais das coisas boas que faz, seguindo...
Como transformar a nossa relação com a natureza?
Falar em meio ambiente não é algo abstrato. Se traduz no ar puro que respiramos, na água que bebemos e na fauna e flora que nos cercam. Somos depende...
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions