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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Março de 2017

26/05/2011 12:00

A realidade e a paz entre árabes e judeus

Por Thaïs de Mendonça Jorge (*)

O premiê de Israel, Benyamin Netanyahu, foi muito claro. “A única paz duradoura é aquela baseada na realidade”, disse, ressalvando que “para haver paz, os palestinos terão que aceitar algumas realidades fundamentais”. O primeiro ministro pareceu mais realista do que o presidente norte-americano Barack Obama, quando ele sugeriu que os israelenses retrocedessem às fronteiras de 1967.

Que realidade é essa de que fala o primeiro ministro? O primeiro aspecto é que Israel não quer negociar com a Autoridade Palestina, alegando que por trás dela está o grupo Hamas. Mas há outras facetas igualmente importantes. Para quem conheceu Israel em 1987, a política expansionista adotada pelo país, vinte anos depois do pacto que dividiu as terras palestinas, começava a se fazer visível.

Nesse ano, um grupo de 15 jornalistas, artistas e políticos – entre eles Milton Gonçalves e Lucélia Santos – foi convidado pela Federação Israelita do Rio de Janeiro a conhecer o território entre Líbano, Síria, Jordânia e Egito: 20.600 quilômetros quadrados, menor que o estado de Sergipe. “Come to Israel, come stay with friends”, convidava a empresa aérea israelense El Al, num anúncio mais dirigido aos milhares de judeus que chegavam ao país todos os dias que propriamente a turistas.

Ainda em 1967 Israel tomou, na Guerra dos 6 dias, os terrenos de Jerusalém Oriental, as colinas de Golã, Cisjordânia e a Faixa de Gaza, violando o pacto da ONU. Antes, já havia iniciado a ocupação das terras, com a política dos kibutzim. Em Belém ou em Jericó, às margens do Lago Tiberíades ou em Samaria (Cisjordânia), conjuntos habitacionais recém-construídos se espalhavam na paisagem árida, onde uma luz rosa se refletia nas pedras das fachadas.

Da primeira ocupação, pela tribo de Abraão, no ano 1950 a.C., até o reconhecimento do estado de Israel pelas Nações Unidas, em 1948, passaram-se quatro milênios, ao longo dos quais aconteceu a diáspora: o povo judeu se dispersou pelo mundo. Ao longo da história, Jerusalém foi sitiada 50 vezes e destruída mais de 10. Até hoje é considerada patrimônio religioso por mais de uma dúzia de cultos.

Em 1987 Jerusalém tinha 500 mil habitantes. Por ser área de divergências, não sediava as embaixadas dos países que reconhecem o estado de Israel. Elas ficam em Telaviv, a 60 km. A velha Jerusalém, com área de um quilômetro quadrado, cercada por alta muralha, abrigava, além do mercado árabe, 30 mil pessoas divididas nos quarteirões árabe, judeu, armênio e cristão, população que convivia – até antes de aparecerem os homens-bomba -, harmonicamente.

Enquanto judeus de todo o mundo atendiam ao apelo e migravam para a Terra Prometida, o Exército de Defesa de Israel se armava com capitais norte-americanos. Brasileiros que viajaram para o país na década de 1980 foram integrar o kibutz Bror Hayil, fundado por judeus egípcios num rincão inóspito entre Telaviv e Jerusalém, vizinho ao deserto do Negev.

Na área de 1.200 metros quadrados, ocupada por plantações de laranjas, limões, algodão e hortigranjeiros, viviam 750 pessoas, no velho regime dos kibutzim russos, onde há divisão das tarefas e todos contribuem no trabalho. Logo os casais brasileiros, que imigraram com os filhos ou que tiveram pequenos sabras (o natural de Israel), descobririam a dura realidade.

O nome sabra vem do fruto do cactus, espinhoso do lado de fora, com um interior doce e saboroso. Os filhos – homens e mulheres, aos 17 anos – entrariam para o Exército e teriam que lutar na guerra. Na volta, depois de três anos de serviço militar, os sabras, com personalidade e identidade formadas, pareciam mais propensos a seguir os prazeres ocidentais que a rigidez do trabalho no kibutz. Pois eles já não sofriam a angústia dos pais, de ter que buscar um lugar para viver. Queriam sair pelo mundo. Muitos pais brasileiros, ao se deparar com a obrigação de ter que enviar os filhos para a guerra, também preferiram voltar ao Brasil.

A realidade é que Israel, a Palestina e o mundo mudaram. A população de Israel se multiplicou mais de 10 vezes desde 1948 e totaliza hoje 7,7 milhões de habitantes. Só Jerusalém tem 732 mil residentes. Com a declaração do presidente Obama de que “o sonho de um Estado judeu e democrático não pode ser realizado com ocupação permanente dos territórios palestinos”, a Autoridade Palestina se fortaleceu para apresentar, na reunião das Nações Unidas em setembro, o seu pleito. Entretanto, a afirmativa pode não passar de pura retórica. Israel é um Estado militarmente potente e a filosofia de ocupação parece ser a realidade de que Netanyahu não abre mão. O discurso de Obama marcou a posição americana a favor de Israel.

(*) Thaís de Mendonça Jorge é jornalista, professora do Departamento de Jornalismo, da Faculdade de Comunicação, da Universidade de Brasília e pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da mesma universidade. Mestra em Ciência Política e Doutora em Comunicação, pela UnB, é pós-doutora em Cibermeios pela Universidade de Navarra, Espanha.

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Antes dos Judeus,existiam outros povos que abitavam a quela região eram os Cananeus. Josué e seu exercitou conquistaram a quela região.mas depois disso Isralel foi invadido por varios povos,Assirios,Egipicios,Babilonios e Romanos e por fim a guerra dos seis dias onde eles reconquistaram parte do seu território.Sempre foi um povo de guerra onde reconquistaram suas terras varias vezes,vocês acham que eles devolver parte de seu território para os Palestinos?
 
Luis Mário em 26/05/2011 08:32:24
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