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Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

15/06/2012 15:19

Aqui quero viver

Por Rodrigo Ostemberg (*)

Há pouco o Chanteclair cantou anunciando um novo dia. Dias comuns como tantos outros, mas um dia significativo em uma interiorana cidade sul-mato-grossense. Cidade que há 100 anos é banhada pelo Rio Paraguai, que há cem anos tem o mais lindo pôr-do-sol pantaneiro.

Cidade que viveu altos e baixos. Passou por três enchentes, viu o tanino do quebracho ser sua maior fonte de renda por décadas, viu a Mate Laranjeira ser criada e ir a falência.

Cidade de gente grande, de crianças e de idosos que contam a historia da cidade como causos que se conta aos netos. Pessoas guerreiras que batalham o pão de cada dia no pescado, na pecuária, no turismo ou no pequeno, porém expressivo comercio local.

Aqui tem índios, brancos, pardos, negros, paraguaios... Gente que fala guarani, português e espanhol. Gente HU-MIL-DE, que na confluência da vida, se entregam ao ritmo da cidade.

O sol arde nesta centenária cidade, o frio, vez ou outra aparece, mas aqui o tereré prevalece.

Quando se chega à cidade, pelo asfalto, vê-se uma placa que diz: “Aqui começa o Brasil”, mas isso se deve as primeiras chegadas pelo rio, único porto de desembarque para quem vem do lado de lá, que por anos e anos, era a única forma de se entrar no Brasil.

Realmente, aqui começa o Brasil, e a hospitalidade pantaneira é de primeira, uma verdadeira aula de etiqueta de como tratar bem os visitantes, e esses vão montes a procura de pesca, de sossego, de cultura, pura. Querem ver e ouvir as tais cantoras meninas, que encantam o Brasil. Querem discutir que é o pai do Encantado, ou o herdeiro do Candil. Bandido mesmo é touro que rouba a cena com o forte verde de nossas matas.

Aqui se anda de harley, chalana e bicicleta. Caminha-se pela orla pantaneira. Come-se Chipa, sopa paraguaia e um tal de bife encapado.

Engraçado, chamais me imaginei apaixonado por uma cidade. Jamais me imaginei apaixonado por uma senhora de 100 anos.

Hoje posso dizer que sou sul-mato-grossense por inteiro, nascido em três lagoas, vivi parte da minha vida em Campo Grande, amei Corumbá, descobri Bonito, mas é aqui quero fincar minhas raízes e criar meu filho. Aqui, nessa pequena Porto Murtinho.

*Rodrigo Ostembrg é jornalista

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