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Campo Grande, Sábado, 18 de Agosto de 2018

15/08/2017 08:23

Da pressa e da preguiça

Por Heitor Freire (*)

A humanidade está vivendo num turbilhão imenso. Os avanços tecnológicos somados à velocidade da informação estão acelerando de forma muito rápida a nossa vida. Tudo é para ontem.

É desejo elementar do ser humano agir corretamente. No entanto, os atropelos que aparecem pelo caminho, muitas vezes impedem a reflexão sobre nossas ações e consequências. Queremos tudo muito rápido, para agora, e por vezes somos impiedosos.

A velocidade dos meios de comunicação nos leva a crer que se não agirmos no momento em que os fatos ocorrem, ficaremos para trás. E é justamente esta atitude que nos afasta do raciocínio e da reflexão, fatores imprescindíveis para chegar à correção de nossos atos.

O dicionário Aurélio diz que pressa significa velocidade, ligeireza, rapidez e necessidade intensa de atingir um objetivo. Já a palavra preguiça deve ser entendida como aversão ao trabalho, negligência, lentidão e moleza. Parece contraditório, mas no mundo moderno estas duas ações caminham juntas, embora partam de condições diferentes.

A pressa e a preguiça estão entre os erros mais comuns que impedem a evolução espiritual. Se por um lado as pessoas correm freneticamente para alcançar algum objetivo material, por outro deixam de lado ações simples que poderiam revolucionar sua rotina e contribuir para um mundo melhor.

Falar em calma numa sociedade capitalista é quase uma afronta ao crescimento. No entanto, são muitas as pessoas que percebem a necessidade de “desacelerar” para viver uma vida mais feliz e saudável.

“Por causa da pseudo-necessidade que criamos, vivemos estressados e mergulhados na correria do dia-a-dia. Mas é preciso reavaliar nossas atitudes e nos livrar, o quanto antes, do que nos impede de crescer”, aconselha o líder espiritual Jay Gokula do Movimento Hare Krishna.

O pior, de acordo com ele, se dá quando a pessoa vive esse constante estado de alerta, traduzido pela pressa, e ao mesmo tempo cultiva a preguiça, o que para os indianos é sinônimo de ignorância.

“O esforço e a determinação devem estar presentes porque se não a evolução espiritual será ainda mais difícil de ser atingida”, explica.

Não ter vontade de desenvolver o plano material e ficar imerso na inoperância prejudicam ainda mais o crescimento. Não há vida humana sem ação. Cada ser tem potencial para desenvolver uma ação e precisa estar consciente de sua responsabilidade no universo.

O desafio é agir fazendo algo em favor do bem. Segundo Jay Gokula, é importante que estas ações não sejam carregadas de pressa, porque assim a intenção fica pelo caminho.

No entanto, Adam Grant, psicólogo organizacional autor de Originals e Give and Take, ambos best-sellers na lista do jornal The New York Times, fala sobre como procrastinar levemente pode conduzir a ideias genuínas.

Procrastinar é aquela atitude de deixar para amanhã o que não precisa ser feito hoje. Segundo ele, estatísticas demonstram que aqueles que fuçam ideias um pouco erraticamente, quebrando estruturas e linhas de tempo, acabam em soluções muito poderosas.

Em contraste, os sabe-tudo que partem apressados na solução de um processo criativo tendem a correr atrás das ideias mais óbvias porque são mais fáceis de serem organizadas e produzidas. E a pressa é inimiga da perfeição, como diz o povo.

O que não pode acontecer é perder a perspectiva. A sociedade vem se envolvendo em inúmeras necessidades banais, criadas por mentes vaidosas e vazias que perderam de vista sua realidade e suas raízes para uma assustadora inversão de valores, a ponto de afetar nossos valores mais elementares e profundos.

Devemos viver sem pressa e sem preguiça, mas caminhar sempre em frente.

(*) Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis e advogado.

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