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Campo Grande, Quarta-feira, 29 de Março de 2017

17/07/2015 13:28

Difícil é se esforçar

Por Gabriel Bocorny Guidotti (*)

É muito conveniente abraçar a ideia de que o momento do país é ruim. Eis o motivo perfeito para tapar buracos, isto é, justificar os próprios insucessos. Aos pessimistas, advirto: com esforço e dedicação, há um Brasil que cresce. Diariamente, o suor do trabalhador honesto, nas mais diferentes esferas, demonstra isso. A maior dificuldade não reside num contexto político/econômico ou na complexidade de um ofício. De outro modo, está na capacidade que cada um tem de deixar a zona de conforto.

Recentemente, encontrei um ex-colega da faculdade em um grande shopping de Porto Alegre. Uma pessoa de irretocável índole, cumpre destacar. Ele, assim como todos, sente os efeitos da crise. Em razão da dificuldade de encontrar emprego na sua área, aceitou atuar em uma rede de fast food para um cargo que não exige nível superior. “Preciso sobreviver”, me disse. Naquele reencontro, senti orgulho de tê-lo conhecido.

Muito se fala a respeito da postura predatória das empresas com seus colaboradores. Pouco se fala a respeito de funcionários que trabalham de má vontade, forjam atestados e faltam o serviço pelos mais diferentes motivos. Pessoas que não se empenham, em resumo. Não defendo nenhum projeto de terceirização. Falo do caráter de cada um. Meu colega é um exemplo disso, pois não parou no tempo para reclamar. Foi atrás de seus objetivos, mesmo que fora da área escolhida na faculdade. Teve coragem para seguir em frente e, sem sombra de dúvidas, será recompensado por isso.

A vida não é linear. Nunca foi, pois as oportunidades aparecem dos lugares mais inesperados. Não há como prever o amanhã. Se a atual situação do país é difícil, ficar em casa aguardando o universo acontecer de nada ajuda. Mexa-se! Criticar o Brasil não vai lhe garantir um emprego. Igualmente, fugir para o exterior, correndo à procura de riqueza e bem-estar... Não é bem assim que funciona.

O maior problema das pessoas é a zona de conforto. É muito difícil ter um diferencial. Fácil é apontar a culpa para as mais diversas direções. A vontade representa tudo nesses tempos insanos. O mercado de trabalho está saturado? Abra a própria empresa. Não é empreendedor? Estude para concursos públicos. Os editais estão aí. Há alternativas, a questão é saber quão longe você está disposto a ir por elas. Eu, por exemplo, estou na luta. Nada abala a minha esperança de ser um profissional de sucesso. Desse modo, partilho meu otimismo com você.

(*) Gabriel Bocorny Guidotti, bacharel em Direito e estudante de Jornalismo

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