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07/08/2013 14:18

Eu era infeliz e não sabia

*Ruy Martins Altenfelder Silva

As recentes manifestações lançaram uma forte luz sobre a insatisfação generalizada com os rumos do País, destacando-se a ênfase dada a alguns antigos e grandes problemas nacionais: educação, saúde e transporte públicos. No meio dos protestos, um cartaz em particular chamava a atenção, valendo como boa síntese das razões da mobilização e do descrédito em que caíram os informes oficiais sobre o bom momento que os brasileiros vivenciavam: “Eu era infeliz e não sabia”.

A frase demonstra, como talvez nenhuma outra, que a sociedade já havia se acostumado com o mau uso do dinheiro público, a escalada da corrupção, o descaso com as reais prioridades nacionais, entre outras distorções, que em conjunto resultam nos péssimos serviços prestados à população. E mais: a rejeição à participação de políticos, partidos e organizações sindicais nas manifestações sinalizou, com clareza inusitada, a desconfiança com que passaram a ser vistas as instituições públicas.

Um pouco de leitura dos clássicos brasileiros, entretanto, anularia boa parte da surpresa que as manifestações provocaram. Por exemplo, Ruy Barbosa (1849-1923) já alertava que “ um povo livre não está sujeito senão às leis que vote pelos seus representantes. Mas, se, com a mentira eleitoral, esbulham do povo o voto, que é a soberania do povo; se, com as oligarquias parlamentares, varrem o povo do Congresso Nacional, que é a representação do povo; se, com as dilapidações orçamentárias, malbaratam a receita do imposto, que é o suor do povo; se, com as malversações administrativas, devoram a Fazenda nacional, que é o patrimônio do povo (...), não nos espantemos de que, como aos mais lerdos muares, ou às reses mais mansas, esgotada um dia a paciência à cansada alimária, junte os pés e num corcovo, desses que nem o gaúcho nem o cossaco se aguentam, voem aos ares selas, estribos, chilenas, rebenques e cavaleiros”.

Acionado o sinal de alerta, é de todo conveniente que os governantes adotem uma nova política de gastos, pautada pela ética, que manda privilegiar os anseios maiores da sociedade sobre os interesses pessoais ou corporativistas dos governantes. A mesma ética recomenda, ainda, a transparência nas ações dos Poderes Públicos e principalmente – insisto – o máximo respeito e competência no uso dos recursos públicos, que têm origem no trabalho dos cidadãos, que há muito não recebem serviços à altura dos altos impostos que pagam.

(*) Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas (APLJ) e do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

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O artigo apenas reforça o mito de que vivemos em um mar de vilanias e somos governados por ladrões e bandidos. Uma pena. O articulista, hábil em citar Rui Barbosa, esquece-se que nos tempos da República Velha, não havia separação alguma entre o público e o privado e as oligarquias reinantes valiam-se do dinheiro público apenas em proveito próprio.
De fato, desde o advento da Constituição de 1988 com a reorganização do Estado, vivemos uma era em que é possível sim acompanhar e punir atos de corrupção. Claro que não se muda uma cultura de 400 anos em pouco tempo, mas o atual Estado brasileiro, políticos a bordo, é o menos corrupto da história do país e, com boa sorte e trabalho correto, a corrupção só tenderá a diminuir nos próximos anos.
 
Eduardo Figueiredo em 07/08/2013 15:08:52
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