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Gripe: o idoso e as vacinas

Por Otávio T. Nóbrega (*) | 17/05/2021 08:30

Vacina não é só coisa de criança. Vacinas são para todas as fases da vida, e os benefícios para a pessoa idosa são vários.

A Influenza (ou gripe) causa 500 mil mortes diretas ao ano no mundo, além de exacerbar em cerca de 30% o risco de morte por doença cardiovascular, pneumonia ou AVC, sobretudo entre idosos. Costuma-se confundir resfriado com gripe, e é bom saber que a gripe se caracteriza por um quadro mais forte, com febre alta, dores pelo corpo (articulações, cabeça), e um mal-estar grande que pode levar a prostração/indisposição intensa. Em síntese, um nariz escorrendo nem sempre representa gripe, pois pode ser um singelo resfriado que, em regra, tem bem menor potencial de letalidade.

O vírus da gripe existe em 3 tipos diferentes (A, B e C; apenas A e B são clinicamente relevantes) que são altamente mutáveis, o que faz necessário que se tenha uma nova imunização a cada ano. Um mito frequente é o de que a vacina possa causar gripe, o que não é possível, pois a vacina é construída a partir de vírus inativado e fragmentado, incapaz de qualquer infecção. Pessoas que tomaram a vacina e ainda assim desenvolveram sintomas gripais provavelmente confundem a gripe com um resfriado (do qual já falamos). São muitos os vírus de resfriados que circulam entre nós. A grande campanha de imunização contra a influenza (em curso neste momento) costuma ser feita às vésperas das grandes quedas de temperatura Brasil afora, fazendo com que o período da imunização coincida com as condições favoráveis para dispersão dessa quantidade de vírus respiratórios, tanto causadores de gripe quanto de resfriados, levando à falsa impressão de que o sujeito se vacinou e adoeceu, quando os sintomas vieram na verdade de uma infecção por um micróbio não relacionado à vacina.

Ainda por cima, a forma mais comum da vacina (a trivalente, disponível pelo SUS) protege contra apenas as 3 estirpes do vírus mais associadas com letalidade (A-H1N1, A-H3N2 e B). Existe uma forma tetravalente que protege contra uma estirpe B adicional, sendo disponível apenas pela rede privada de laboratórios para aquisição. Ambas tem eficácia > 60% para idosos, sendo bem seguras e bem toleradas, podendo ser aplicada mesmo em pacientes imunocomprometidos. Reações adversas, quando acontecem, normalmente são brandas, podendo variar de uma sensibilidade local no ponto da aplicação, dor no corpo e uma febre leve que podem ser administradas com analgésicos orais. Por fim, é importante que fique claro que a vacina não previne que a pessoa contraia o vírus e tenha sintomas da influenza, mas previne quadros mais graves, impedindo que a pessoa precise recorrer ao serviço de saúde, seja internado, ou desenvolva um quadro respiratório mais grave decorrente de uma infecção oportunista, como uma pneumonia. Como não aderir a este benefício que o SUS assegura gratuitamente a nossos idosos e a outros grupos de risco?

(*) Otávio T. Nóbrega é professor associado da Universidade de Brasília.

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