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28/10/2011 15:51

Maiêutica

Por Fábio Coutinho de Andrade*

A maiêutica foi elaborada por Sócrates no século IV a.C.. Por meio dessa linha filosófica, ele procura dentro do homem a verdade. É famosa a frase atribuída a ele, “conhece-te a ti mesmo”, inscrita no templo de Delphos, ao lado da frase de Juvenal, “mente sã em corpo são”.

Ao longo de sua vida, Sócrates sempre ocupou cargos públicos, mas seu comportamento sempre foi modelo de integridade e ética. Ele acreditava não ser possível filosofar enquanto as pessoas não alcançassem o autoconhecimento, percebendo, assim, claramente, seus limites e imperfeições. Considerava que deveria agir conforme suas crenças, com justiça e retidão, edificando homens sábios e honestos.

Sua forma de viver, contudo, provocou a ira geral e lhe angariou muitos inimigos. Ele era, hoje, o que poderíamos chamar de líder de uma elite intelectual. Acusado de perverter os jovens e de substituir os deuses venerados em sua terra natal por outros desconhecidos, ele negou-se a elaborar defesa própria, pois argumentava que seus ensinamentos eram imortais e não algo para ser compreendido naquele momento. Preferiu a morte, recusando inclusive a fuga providenciada por seu discípulo Criton, porque não desejava contrariar as leis humanas.

O que Sócrates sugere é uma jornada interior em busca dos caminhos que conduzem às virtudes morais. Por meio de questões simplistas, inseridas em um contexto determinado, a Maiêutica faz surgir questões mais complexas. Ele busca o conhecimento por meio de questões que revelam uma dupla face – a ironia e a maiêutica. Pela ironia, o saber sensível e dogmático se tornam indistintos. Sócrates dava início a um diálogo com perguntas ao seu ouvinte, que as respondia de acordo com sua própria maneira de pensar, a qual ele parecia aceitar. Posteriormente, porém, ele procurava convencê-lo da esterilidade de suas reflexões, de suas contradições, levando-o a admitir seu equívoco.

Para exemplificar, certa vez dirigiu-se o filósofo a um general ateniense e diz para si: “-Aqui está: este é quem sabe o que é ser corajoso, visto que é o general.” Aproxima-se e diz: “-Você é um general do exército ateniense, tem que saber o que é a coragem.” Então o outro lhe diz: “-Mas é claro! Como não vou saber o que é a coragem? Ela consiste em atacar o inimigo e nunca fugir.”

Sócrates para, pensa e lhe diz: “-Sua resposta não é totalmente satisfatória.” E faz ver ao general que muitas vezes é preferível retroceder para atrair o inimigo a uma posição mais favorável para destruí-lo. O general concorda e dá outra definição ou complementa a anterior. E Sócrates exerce, como de costume, sua crítica interrogativa e nunca se satisfaz com as respostas que lhe são dadas.

Por meio da maiêutica, ele mergulha no conhecimento, ainda superficial na etapa anterior, sem atingir um saber absoluto. Ele se utilizava desse termo justamente porque se referia ao ato da parteira – profissão de sua mãe – que uma vida à luz. Ele vê a verdade como algo que é parido. Um exemplo ilustrativo desse método é o conhecido diálogo platônico “Menon”, em que orienta o filósofo um escravo sem instrução a adquirir conhecimento. Assim o fazendo, o adquire de tal forma que se torna capaz de elaborar diversos teoremas de geometria.

Nos diálogos que nos foram legados por Platão, que reproduzem cenas da atuação de Sócrates, nenhum deles chega a uma solução definitiva. Todos se interrompem, dando a entender que é preciso continuar perguntando e encontrando dificuldades e novos desafios.

(*) Fábio Coutinho de Andrade é advogado

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