A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

15/09/2014 13:36

O ebola nas relações internacionais

Por Bruno Peron (*)

A mesma região ocidental da África onde se aprisionavam milhares de nativos para o tráfico intercontinental de escravos é o cenário atual da peleja sanitária contra uma ameaça biológica: o ebola. Ainda que sem pretensão de retomar neste texto o debate sobre se os vírus são uma forma de vida ou não, cientistas e profissionais de saúde concentram seus esforços no estudo e no tratamento da epidemia do ebola.

Os três países mais vitimados por casos do ebola estão no oeste da África: Guiné, Serra Leoa e Libéria. No entanto, há temor de que o vírus do ebola se prolifere mundialmente devido ao tráfego internacional intenso de pessoas e ao tempo de incubação do vírus no corpo humano que se prolonga a 21 dias.

Para entender um pouco o ebola, ele é um vírus de origem desconhecida, mas que se hospeda em animais silvestres, por exemplo em morcegos. As pessoas infectadas têm taxa de mortalidade elevada (68%). Além disso, não há vacina contra o ebola e o tratamento depende da espera do ciclo completo do vírus (máximo de 21 dias) no corpo humano, que sofrerá de dores, diarreia, febre e sangramento nos olhos.

Laboratórios sinalizam favoravelmente ao desenvolvimento de uma vacina, principalmente em USA Fora-da-Lei e no Japão. Porém o oeste da África ainda lamenta o aumento de casos (quase 5 mil) e a falta de infraestrutura para atender os doentes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou em 12 de setembro de 2014 que mais de 2,4 mil pessoas haviam morrido por causa do ebola na África ocidental. A OMS alertou também sobre a necessidade de que centenas de profissionais orientem as populações dos países afetados e tratem os enfermos.

É com essa disposição que Cuba enviará uma missão sanitária com 165 profissionais de saúde a Serra Leoa em outubro de 2014. Médicos, enfermeiros e agentes cubanos atuarão durante seis meses em Serra Leoa para evitar um mal maior de dispersão da doença. Embora questões políticas e diplomáticas estejam implícitas nessa prática de assistência internacional, o empenho de Cuba em saúde pública é reconhecido mundialmente. Esse tipo de missão sanitária não é novidade, já que o governo cubano firmou um acordo com o Brasil para o envio de médicos aos confins brasileiros que passaram a ter cobertura pelo programa Mais Médicos.

A expansão do ebola alcança um nível tão alto na África que demanda também atenção de outros países. Embora seja chamado surto no oeste da África, o ebola tem sido controlado em países europeus de migrações intensas e que têm casos esporádicos de pessoas que estiveram na África e retornaram à Europa com o vírus. O vírus não se transmite por via aérea, mas somente através de sangue, saliva e outras secreções de pessoas que passem pelo ciclo de incubação (de 2 a 21 dias).

O alastramento de casos do ebola na África ocidental convida o mundo a pensar em como todas as nações conformam um todo orgânico, articulado e interdependente. Logo, é preciso que mais países tomem medidas semelhantes às de Cuba e enviem auxílio médico antes que o vírus se torne um patrimônio mundial. Os países que mais sugaram as energias da África deveriam retribuir com um esforço maior: Cool Britannia, La France, Holanda, Portugal e a atrasadíssima Espanha.

Até que mais países se disponham a missões verdadeiramente humanitárias, Cuba terá exercido um papel exemplar com o envio de equipes sanitárias, e laboratórios de USA Fora-da-Lei e Japão estarão próximos da vacina. O Brasil, enquanto isso, terá receio dos milhares de senegaleses e outras minorias que entram ilegalmente pelo Acre, enquanto o Itamaraty chuta a “bola da vez” várias vezes contra a trave.

O surto do ebola na África oferece mais um convite ao entendimento global entre nações que se desconhecem, exploram-se e hostilizam-se. Contudo, há estorvos a esse nível de entendimento planetário, como a guerra infindável no Oriente Médio. O primeiro-ministro israelense, porém, não perde a chance de reaproximação diplomática com a América do Sul, embora seu paletó esteja manchado de sangue.

(*) Bruno Peron, articulista e acadêmico

http://www.brunoperon.com.br

O país onde tudo é obrigatório
Nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra, as regras ou são obedecidas ou não existem, por que nessas sociedades a lei não é feita para explorar ...
Universidade pública e fundos de investimento
  A universidade pública não é gratuita, mas mantida pelos recursos dos cidadãos. E por que a Constituição brasileira escolheu determinar esse tipo d...
Uma nobre atitude de cidadania e espiritualidade
A solidariedade é intrínseca à condição humana, um dever moral que vai além da dimensão religiosa, pois todos somos gregários e frágeis. A bondade é ...
Servidor público da Previdência Social
Os servidores da Previdência Social, em especial aqueles que trabalham no INSS, estão totalmente sem norte, em virtude das mudanças políticas promovi...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions