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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

24/07/2019 06:33

Os bons tempos vão voltar?

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

É triste a realidade da humanidade. Para onde foi canalizada a melancolia que brota no coração dos adolescentes? Que modelos foram oferecidos? A cultura poderia e deveria ter propiciado os elementos para a formação de caráter beneficiador, honesto, altruísta. Desinteressados sobre o futuro, muitos jovens recorrem ao uso de drogas e atividade sexual precoce, antes mesmo da conclusão da formação física.

No Brasil, temos o grave problema secular da falta de empenho geral na consolidação de um país livre e na ausência de empenho para dar às novas gerações adequado preparo para a vida. Com a falta de seriedade e auto-estima, as pessoas são incentivadas a deixar rolar para ver como fica. Não há metas nem planos perseverantes, tudo declina continuadamente. Temos permitido abusos, estagnação e declínio. As pessoas que vivem no Brasil deveriam ser incentivadas a pensar com otimismo no bem geral.

Bons tempos nos anos de 1930 a 1950, quando a cidade de São Paulo dava orgulho por ser considerada o maior centro industrial da América Latina, e a USP era reconhecida como excelente universidade para a formação de uma geração forte, tida como a esperança de melhor futuro. Depois, as elites ficaram descuidadas. Castro e Guevara ensejaram nova teologia. A dívida externa fincou suas garras. Nada mais é como antes na educação, saúde, indústria, empregos. Assumiu uma classe política interesseira que deixou arrasadas as contas, a indústria e os empregos. A dívida foi ressuscitada em nova forma e acabou travando tudo.

No passado, a situação do Brasil estava complicada. Com a abrupta derrubada de D. Pedro II o país ficou meio perdido, o que para os banqueiros da Inglaterra se tornou um grande atrativo lucrativo. E de lá para cá o país nunca se libertou do anzol da dívida. Hoje, teme-se o declínio geral apesar dos recursos naturais disponíveis. Mas o foco permanece voltado para o poder e no imediatismo da próxima eleição.

A população do Brasil está dividida em três grupos: os endinheirados temerosos de perder as mordomias; os deslumbrados com o circo e utopias e que não examinam o que lhes é impingido; e os que tomaram consciência da desfaçatez vigente no poder há décadas e que têm cuidado só dos interesses particulares, errando e embromando e deixando o país endividado e sem rumo. Com tantos recursos naturais, o Brasil tem de se afastar da rota de declínio e ignorância.

Quando Fernando Henrique Cardoso foi sucedido no governo por Lula, a fase de valorização do Real já tinha expirado, mas a economia prosseguiu com juros elevados. Em poucos anos a dívida cresceu trilhões em juros. O rombo se tornou visível nas contas públicas, no PIB, na desindustrialização, na perda em qualidade humana. Como corrigir tudo isso?

Se a previdência se limitar a fazer cortes gerais nas aposentadorias e pensões, só vai ajudar a contenção da escalada do risco Brasil para os financiadores. Melhor equilíbrio na distribuição requer redistribuição dos valores abusivos de uns para melhora nos valores irrisórios de grande parte dos aposentados.

A raiz do problema está em como promover a retomada do crescimento econômico estagnado há décadas. Por que um país que tinha economia pujante, empresários ágeis, mão de obra experiente e ativa caiu na letargia? Os impostos eram ruins, a burocracia emperrava as iniciativas, os políticos eram insensíveis, mas a economia andava, havia esperança. De repente tudo foi parando. Trabalhadores especializados tiveram de ir trabalhar em lojas ou restaurantes para sobreviver.

Há uma guerra psicológica nas comunicações. As pessoas têm de ficar espertas, pois as notícias falsas são bem elaboradas, misturando verdades com mentiras de forma a iludir quem recebe a informação. Mas a mentira vem de longe, utilizada em muitas coisas sérias para iludir e dominar as pessoas desatentas. De longa data os problemas reais e as causas da estagnação econômica têm sido varridos para debaixo do tapete. Sem a apuração das causas reais, tudo o mais é paliativo. Isso já custou muito, levando o país endividado e deficitário ao caos. Urge aumentar a produção, empregos e consumo. Os líderes têm de se esforçar e se unir a bem do Brasil.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida.

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