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Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

11/09/2013 13:59

Resposta pública ao artigo “Fundamentalismo Evangélico”

Por Josep M. Rosselo (*)

Caro Rev. Carlos Eduardo Calvani,

A Democracia está baseada no respeito às outras opiniões, inclusive quando tais opiniões discordem com as nossas. O respeito e defesa da livre opinião são pilares de todo sistema democrático e parlamentarista. Por isso, Rev. Calvani, você tem direito a expressar-se livremente sua opinião. Infelizmente, tal direito tem sido usado para promover o medo e o alarmismo, espalhando falsidades.

1. Permita-me que comece afirmando claramente que discordo absolutamente das posições teológicas e doutrinais dos pastores, como Malafaia, Feliciano, Rodovalho, Macedo, R.R. Soares e tantos outros. Infelizmente, veio no seu texto, atitudes que me lembram ao Malafaia, Feliciano, Macedo, entre outros. Isso me entristece, porque vejo a mesma intolerância nas suas palavras que tenho visto às vezes neles.

2. Fico surpreso que sendo um clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), a qual proclama a tolerância e a liberdade, que tais valores não tenham espaço no seu artigo. Dando a impressão que somente existe tolerância para aqueles que concordem contigo. Se isto é verdade, tal posição é mais própria de sistemas opressores que dos valores democráticos do Brasil.

3. A democracia atual e o parlamentarismo são heranças dos países evangélicos, tanto na Europa como na América do Norte. Portanto, o movimento evangélico não é uma ameaça à democracia. Pelo contrario, ele representa a voz de uma parte da sociedade brasileira. Se discordar de tal movimento, faça através de debater os argumentos apresentados por eles, e não simplesmente através de ataques gratuitos e temores infundados.

4. Os cristãos brasileiros (católicos, evangélicos, protestantes e ortodoxos) tem a mesma posição sobre a família e o que é um matrimonio. Interessante que o senhor não menciona este fato no seu artigo. Inclusive, outras religiões (Judaísmo, Islãmismo, entre outras) compartilham esta visão com o Cristianismo. A Bíblia, a tradição da Igreja e o Livro de Oração Comum afirmam que o matrimonio é entre um homem e uma mulher. Ainda que você discorde de 2.000 anos de fé e prática Cristã.

5. Acusa aos evangélicos de serem “intolerantes” e “fundamentalistas,” e chega até a comparar os evangélicos aos mulçumanos. O qual achei de uma gravidade inacreditável. Você parou a pensar que existem milhares de evangélicos, crianças e adultos, mulheres e idosos, sendo mortos cada ano pelos muçulmanos e outras religiões? Você não tem a mais mínima decência? Nem tudo é válido para conseguir o que desejamos, infelizmente o seu artigo mostra que qualquer coisa é válida para conseguir o que quer.

6. Discordo com o senhor de que a Constituição Brasileira defenda um Estado laico, entendendo o estado laico no sentido clássico do mesmo. Com certeza, tampouco defende um estado confessional. A Constituição Brasileira nos apresenta o Brasil, como um estado não-confessional, o qual difere significativamente do estado laico. No Estado Laico, as religiões não tem nenhum papel nele. Nem afirma a existência de Deus.

A Constituição Brasileira afirma a existência de Deus no Prefácio da mesma. Protege as religiões da interferência do Estado na vida delas, mas não protege o Estado da interferência das igrejas. E, finalmente, reconhece o papel das religiões na vida do Estado através das capelanias. Tal texto não pode ser considerado, como próprio de um estado laico, como seria na França. Entendo que o movimento “gayzista” desejam promover uma idéia errônea da Constituição Brasileira.

7. Finalmente, desejo fazer público que o Rev. Calvani e a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), não é de jeito nenhum a única igreja anglicana. Ainda que sejam os únicos que façam parte da Comunhão Anglicana. De fato, a IEAB nem representa a metade dos anglicanos do Brasil na atualidade. Portanto, façam o favor de falar somente em nome dos “episcopais-anglicanos” e não em nome dos anglicanos do Brasil.

Estão enganando o povo brasileiros, dando entender que são os únicos anglicanos, quando a verdade nem representa a maioria de Anglicanos no Brasil. Se ainda não tem percebido, o movimento evangélico está formado por mais quarenta milhões de brasileiros. Isto representa quase um quarto da sociedade brasileira. Entendo que discorde com alguns líderes, contudo convido você a refletir sobre a promoção gratuita do medo e o alarmismo entre as pessoas de bem.

Sinceramente, desejo que seja mais cuidadoso quando comunicar suas opiniões no futuro. Nem sempre nossas posições são aquelas que tem o apoio da sociedade brasileira, e resulta preocupante quando pensamos que falamos em nome da sociedade brasileira. Somente podemos falar no nosso nome e respeitar as opiniões dos outros, inclusive quando discordemos com as mesmas.

Que Deus Todo-Poderoso nos ajude a ser fiéis servos de Cristo através do fruto do Espírito. Amém.

(*) Josep M. Rosselo é bispo diocesano da Igreja Angelicana Reformada do Brasil.

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Acabo de ver um jovem homossexual cometendo suicídio porque sua família evangélica não aceita sua sexualidade! (http://phnewsms.blogspot.com.br/2013/09/jovem-gay-rejeitado-por-familia.html). O mal de raiz é que a bíblia é homofóbica e seu deus é dos piores da mitologia, é misógino, escravista, infanticida e assassino cruel. O deus todo bondoso é uma farsa! Aqui há um sujo falando do mal lavado! Eu fico indignado!
 
raimundo edmário guimarães galvão em 12/09/2013 11:51:38
começa assim, em sites...um brigando com o outro...termina igual o oriente médio: um matando o outro por religião e fanatismo.
 
jorge mendes em 11/09/2013 16:04:53
Bom texto do bispo Rosselo, estou grato ao Campo Grande News pela publicação. Entretanto, creio haver uma confusão de matrimônio e união civil, apesar dos dois serem "casamento", o primeiro termo tem expressão religiosa, o segundo meramente social. Percebi também que ao defender a ideia do evangélico não ser radical, usou o argumento do parlamento e democracia. Na verdade o primeiro é conceito de origem protestante, inspirado nas ordens católicas e o segundo romano, portanto católico. Outro fato, marcante no texto do rev. Calvani, é a manobra de massas humanas com a utilização de sua fé e crença como volante, com a clara intenção de faturar algo. Um tipo claro de estelionato. Por fim, antropologicamente falando, igrejas evangélicas são uma ameaça à democracia. É pura observação.
 
Fabiano Silva em 11/09/2013 15:54:53
Não concordo com tudo o que disse, e nem preciso, mas enfim uma mensagem lúcida em relação ao tema. Parabéns!
 
Clayton Peixoto em 11/09/2013 15:24:26
Se é tao ruim o fato de alguns cidadãos brasileiros ser evangélico, porque então 'aqueles' incomodados não pregam apoio ao satanismo, afinal de contas, tal prática não seria também uma religião???
 
PEDRO NAVARRO CORREIA em 11/09/2013 14:57:43
1 - "representa a voz de uma parte da sociedade brasileira": Só de uma parte. Não de todos.
2 - "Os cristãos brasileiros (católicos, evangélicos, protestantes e ortodoxos) tem a mesma posição sobre a família e o que é um matrimonio": NEM TODOS. Não fale em meu nome. O sr também não conhece a opinião de todos. Se UM pensar diferente do sr, não significa que não seja cristão.
3 - "chega até a comparar os evangélicos aos muçulmanos. O qual achei de uma gravidade inacreditável": Não generalize com os muçulmanos. NEM TODOS. Ofenda-se com a comparação aos fundamentalistas, se não for um deles. Não com os muçulmanos TODOS. Não somos melhores que eles. Apenas pensamos diferente.
Cuidado pastor, com a sua indignação. Senão vai ficar igual! Não carregue armas em seu coração. Tente cultivar a PAZ!
 
Prudenciano Rodrigues em 11/09/2013 14:45:47
Agradeço ao Sr. Rosselo pela resposta pública a texto tão preconceituoso , e sem o menor o respeito. Todos temos o direito de freguentarmos a igreja em que desejamos , sendo católica , evangélica qual for. O que importa não placa do Ministério, mas que os ensinamentos e amor de cristo sejam pregados e vividos.

 
Rosykler Borges em 11/09/2013 14:34:14
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