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Campo Grande, Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

01/10/2011 12:00

Retrato de uma vida, por Heitor Freire

Por Heitor Freire (*)

Há poucos dias, assisti ao lançamento do livro escrito pelo professor Lourival Martins Fagundes, retratando a vida de Lúdio Coelho. Fagundes tem um estilo claro, objetivo, direto. E obedeceu à risca a “recomendação que recebeu” do “seu” Lúdio: “não me venha com coisas complicadas – quero um livro simples, como eu mesmo, para que todas as pessoas entendam o que fui e procurei fazer pelas famílias e pelo desenvolvimento da economia por intermédio da política.”

Conheci Lúdio Coelho, em 1973, na época da implantação do plano de serviços médicos da Unimed, cujo lançamento e vendas foram coordenados por mim e pelo meu colega Raiman Félix. Quando estive em seu gabinete no Banco Financial – que acreditou de imediato no plano – me senti um pouco inseguro pela presença e importância do maior banqueiro do nosso estado, mas ele, com a sua simpatia e alegria, logo descontraiu o ambiente, deixando-me aliviado e à vontade para proceder as formalidades da assinatura do contrato de prestação de serviços.

Depois trabalhei na Financial Imobiliária como gerente-geral de vendas quando o meu amigo Aluízio Coelho era o superintendente. A Financial foi a sucessora da Cimobrás, empresa que pertencia ao grupo Coelho atuando na área imobiliária. Isso já em 1978. Aí pude conhecer de perto a filosofia da família e a sua responsabilidade nos negócios e nas transações comerciais que também muito influenciaram a minha vida profissional.

Na primeira administração Juvêncio César da Fonseca na Prefeitura de Campo Grande, quando eu era presidente da Câmara de Valores Imobiliários (CVI), assinamos um convênio com a prefeitura, para elaborar anualmente a planta genérica de valores venais dos imóveis da cidade, para o lançamento do IPTU. Essa incumbência permanece até hoje.

Na segunda administração de Lúdio Coelho, em outubro de 1991, ao analisarmos os preços que estavam sendo praticados para o lançamento do IPTU, verificamos que havia uma grande defasagem entre os valores lançados e o valor venal dos imóveis. De um modo geral, o critério para o cálculo era do prefeito, adotando, na maioria das vezes, uma decisão política.

Solicitamos uma audiência com “seu” Lúdio e expusemos a ele a situação, alertando que, se não fosse tomada uma decisão corajosa de atualização dos valores, haveria uma discrepância cada vez maior. A situação exigia mudança, cuja atualização provocaria, certamente, o protesto dos contribuintes.

O prefeito só nos fez uma pergunta: “Vocês aguentam o tranco?”. Nós dissemos que sim. Assim, ele autorizou o lançamento dos imóveis a preços de mercado.

Quando os carnês do imposto foram distribuídos em janeiro do ano seguinte, como havíamos previsto, a grita foi total. A bronca maior foi dos comerciantes. A Associação Comercial, cujo presidente à época era Wagner Simone Martins, se transformou no estuário natural dessas reclamações. Foi convocada uma assembleia geral.

A Prefeitura, convidada, se fez representar pelo Secretário de Controle Urbanístico, Renato Katayama. Eu era o representante da CVI. Quando lá chegamos juntos, ficamos impressionados com o número elevadíssimo de pessoas presentes. Havia gente pelos corredores, encostada nas laterais do auditório. Lotadíssimo.

Após discussão demorada e exaustiva do assunto, o presidente da Associação Comercial, perguntou como se poderia atender aos reclamantes e nós nos colocamos à disposição para atender aos contribuintes, a partir do dia seguinte, na sede da CVI. Foi o que fizemos, desanuviando a situação. Assim, pudemos confirmar ao nosso prefeito: “Sim, aguentamos o tranco”.

Outro episódio vivido com “seu” Lúdio foi quando conseguimos a doação de uma área da prefeitura para a construção do Colégio Osvaldo Tognini. Na época eu exercia o cargo de Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica e Chanceler da Funlec. Para obter a doação, contamos com a ajuda decisiva do presidente da Câmara Municipal, dr. Flávio Renato e do professor Lourival Fagundes (fundador e primeiro presidente da Funlec), secretário municipal do Planejamento na época. Na inauguração do colégio, Lúdio, admirado pela rapidez na execução da obra, afirmou a sua alegria pela participação nessa realização.

Profissionalmente, também prestei serviços de intermediação imobiliária ao “seu” Lúdio, quando vendi duas áreas de sua propriedade aqui em Campo Grande, confirmando mais uma vez a lisura de seu procedimento. Nessa oportunidade, ele me disse que apesar de ser sócio da Financial Imobiliária, o seu pai, Laucídio Coelho, sempre dizia que era melhor tratar com profissionais de fora da família para suas transações comerciais.

Assim, registro aqui o meu respeito e admiração por esse cidadão que imprimiu à sua vida política a mesma filosofia que adotou em toda a sua existência: simplicidade, seriedade, honestidade e cumprimento da palavra empenhada.

O meu irmão e professor Fagundes, com a sua proverbial competência e capacidade, soube com muita propriedade retratar e registrar a vida de Lúdio Coelho, vindo assim a tempo e hora, preencher um espaço antes que se tornasse vazio.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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