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19/06/2013 14:05

Tempos de ruptura

Por Arthur Conceição (*)

Estamos vivendo um momento de ruptura à luz das manifestações políticas. Quando pensamos em rebeldia da juventude nos reportamos para maio de 68, na tão controvertida Paris. Mas, a luta do século XI tem outro tom.

Vivemos o efeito da primavera Árabe de 2012, que também irradiou as ruas das principais cidades brasileiras com coros de ordem. Em terras tupiniquins tudo teve início com pequenos grupos, que deram o grito de liberdade contra a corrupção brasileira, no feriado de sete de setembro do ano passado.

Tivemos um questionamento embrionário coletivo que aflorou em plena esplanada dos ministérios. Lá estava uma juventude em fase universitária que ocupava algumas capitais para protestar contra a corrupção política no país. Essas manifestações tomaram corpo pouco a pouco.

De lá para cá a conscientização de luta veio num processo lento mas contínuo, com manifestações apartidárias isoladas nas redes sociais. O questionamento ao sistema tomou um rumo de contraposição que se propagou. Isto é, a juventude que era considerada apática pela grande massa da sociedade, “desembernou” saindo de um sono profundo.

As conversar de um mundo virtual, propiciada pelas redes sociais, se tornaram realidade tomando o espaço público das principais capitais. O movimento começou pelo passe livre as margens da Avenida Paulista, e hoje se faz presente nos grandes centros financeiros do país. Não é só um passe livre que está em questão e sim a falência de um sistema político partidário, que não dá vazão para a energia de uma juventude que tem esperança de mudança.

O que os adultos não têm coragem de fazer a juventude fez, esboçando um sentimento radicalizado. O mundo juvenil não tem nada a perder. Pois bem, colocou em xeque um jogo político descabido e viciado que estão presentes nos porões da obscuridade.

A esperança de uma nova prática política está na participação social e consciente. As atividades de corrupção entre os três poderes tem construído uma injustiça social, que agora faz ferver o sangue de toda uma geração encorajada em se rebelar. O eco chegou ao pedestal do poder.

Com tudo isso faz-se necessário entender e refletir que a escola, como uma instituição social, por si só perdeu sua força de transformação devido à defasagem estrutural. Os partidos políticos não são mais espaço de livres debates e sim bancas de negociação.

Lá a agenda política é para beneficiar pessoalmente os detentores do poder, que de certo excluem milhares de pessoas da dignidade humana. O que sobrou foi a saída para um movimento social pleno e transformador, fora dos tetos de instituições sociais estruturantes presentes em nossa sociedade moderna.

A energia de luta foi canalizada na expressão mais rica da democracia a chamada livre expressão. O tormento das manifestações foi dirigido àqueles que ocupam a alta cúpula dos prédios públicos. Agora estes são culpados em autorizarem violência sistemática por meio do poder coercitivo estatal, manifestado por um polícia militarizada e irracional.

O uso da força foi provocado de forma leviana contra manifestantes. O estado brasileiro está assustado. Quanto mais pressão exercida pela força policial ao jovem, mais ações e reações acontecerão. É uma lei natural do ser humano reagir aos tons de provocação.

O que faremos? É necessário fazermos uma reforma política completa e uma reforma educacional mais do que completa, plena e democrática com começo meio e fim. Vivemos uma crise institucional de estado de direito. As lutas populares são sempre legítimas. A juventude só está antecipando um cenário de um país que entrará em crise econômica em que consequentemente haverá desemprego e crise social.

O pior é que o Brasil não está adaptado em conviver com mais uma crise, por haver baixo investimento em educação; ter uma economia pautada apenas no bem de consumo e possuir desperdícios no sistema público alavancado também por uma corrupção sistemática. Viva a ruptura legitima de nossa juventude brasileira.

(*) Arthur Conceição é cientista político e jornalista, acompanhou as manifestações em Curitiba em frente ao palácio do governo.

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