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Cidades

À ONU, índio de MS critica Bolsonaro e cobra demarcação urgente

Adolescente, de 15 anos, também denunciou a falta de alimentos e desassistência do Governo Federal aos indígenas

Por Adriano Fernandes | 01/07/2020 23:39
Família inídigena. (Foto: Ruy Sposati/Cimi)
Família inídigena. (Foto: Ruy Sposati/Cimi)

Roger Ferreira Alegre, de apenas 15 anos, indígena do povo Guarani Kaiowá em Amambai, foi um dos destaques do encontro anual sobre os direitos das crianças do Conselho de Direitos Humanos da ONU(Organização das Nações Unidas), nesta quarta-feira (1º).

Durante o painel sobre crianças e meio ambiente o garoto denunciou a desassistência do governo Bolsonaro em meio ao surto de covid-19 nas aldeias, a falta de alimentos e o clima de insegurança que paira sobre os povos indígenas, devido a paralisação da demarcação de suas terras.

"Infelizmente, no contexto guarani, há uma dívida histórica por parte do governo do Brasil em demarcar nosso território. O governo Bolsonaro paralisou o processo de demarcações no país. Como consequência, vivemos em uma situação de insegurança, com riscos à saúde, à alimentação, à integridade física e mental", disse Roger, que discursou em espanhol representando o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O evento acontece em Genebra, Suíça, e a participação do garoto ocorreu através de videoconferência. “O meio ambiente afeta diretamente os direitos de meninos e meninas. Para a infância indígena, a proteção do território é a forma de garantir nosso estilo de vida tradicional, sobrevivência, nosso desenvolvimento como ser humano e o exercício de todos os nossos direitos humanos”, diz trecho da fala do garoto.

Participação do adolescente foi transmitida pela internet. (Foto: Reprodução) 
Participação do adolescente foi transmitida pela internet. (Foto: Reprodução)

O adolescente também denunciou a situação precária de saúde e alimentação em que vivem meninos e meninas indígenas nas aldeias. "Nossas crianças sofrem com taxas elevadas de desnutrição. Somos mais de 2 mil famílias — 60% crianças, sobrevivemos em barracas de lona sem acesso à água, saúde, educação, alimentação, em uma verdadeira crise humanitária", afirmou.

Ainda conforme o portal Uol, durante o seu pronunciamento, Roger alertou que "no ano passado, 15 crianças entre 6 e 9 anos que tomavam café na escola indígena na aldeia Guyraroká foram cobertas por uma nuvem de agrotóxico, causando vários danos à saúde".

O impacto do coronavírus nas aldeias também foi outro ponto tratado pelo adolescente durante a conferência. Ele denunciou a falta de alimentos nos acompanhamentos e mencionou o papel dos frigoríficos de Mato Grosso do Sul no aumento da doença.

"Muitos dos nossos pais e familiares adultos foram contaminados trabalhando nas empresas frigoríficas da JBS", disse. O adolescente também ressaltou que "a principal medida para proteger os direitos das crianças indígenas é garantir a demarcação dos nossos territórios".