Asfalto avança no Chaco e aproxima Mato Grosso do Sul do Oceano Pacífico
Obra transforma a antiga Picada 500 em trecho estratégico da Rota Bioceânica

A antiga Picada 500, por décadas marcada pela poeira, pelo isolamento e pelas dificuldades de circulação no Chaco Paraguaio, começa a dar lugar a uma rodovia preparada para receber o transporte internacional de cargas. A pavimentação dos 224 quilômetros entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo avança rapidamente e consolida uma das ligações mais importantes da Rota Bioceânica.
RESUMO
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A pavimentação de 224 quilômetros entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, no Paraguai, avança e consolida a Rota Bioceânica, corredor que liga o Brasil ao Oceano Pacífico. A obra, orçada em 354 milhões de dólares, beneficia diretamente Mato Grosso do Sul, reduzindo distâncias até mercados asiáticos e ampliando a competitividade de grãos, carnes e minérios exportados via Porto Murtinho.
A obra interessa diretamente a Mato Grosso do Sul. O corredor, que passa por Porto Murtinho e atravessa o Paraguai e a Argentina até alcançar os portos do Chile, abre uma nova saída para o Oceano Pacífico. Para o Estado, significa a possibilidade de encurtar distâncias até os mercados asiáticos, reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade da produção de grãos, carnes, celulose e minérios.
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A reportagem percorreu o trecho na segunda-feira (31) e encontrou frentes de trabalho distribuídas ao longo da rodovia PY-15. Orçada em US$ 354 milhões e financiada pelo Fonplata, a pavimentação é um dos maiores investimentos em infraestrutura logística do Corredor Bioceânico no território paraguaio.
Os 224 quilômetros foram divididos em quatro lotes, cada um com aproximadamente 55 quilômetros e sob responsabilidade de diferentes consórcios. Segundo os dados da obra, cada lote já apresenta, em média, cerca de 20 quilômetros de capa asfáltica implantada.
A terraplanagem chegou a 100%. A aplicação de solo calcário alcançou 96%, enquanto a etapa de solo-cimento registra 80% de execução. São serviços menos visíveis do que o asfalto, mas fundamentais para dar estabilidade e resistência à rodovia, que deverá suportar um fluxo crescente de carretas e veículos pesados.
A base estabilizada está em 50%, com aproximadamente 30 quilômetros concluídos. Em diferentes pontos da PY-15, as equipes já trabalham na aplicação da mistura asfáltica. A paisagem ainda reúne máquinas, desvios e longas extensões de terra, mas a estrada definitiva começa a aparecer no meio do Chaco.
Além de melhorar a circulação interna no Paraguai, a obra cria empregos e leva infraestrutura a uma região historicamente isolada. Seu efeito mais amplo, porém, estará na integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Quando concluída, a ligação entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo deverá tornar mais rápido e seguro o transporte de mercadorias entre os países.
Para Mato Grosso do Sul, a Rota Bioceânica representa uma mudança de posição no mapa econômico. O Estado deixa de ser apenas uma região do interior brasileiro e passa a ocupar lugar estratégico em uma ligação terrestre entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Porto Murtinho torna-se porta de entrada brasileira desse novo corredor, com potencial para atrair transportadoras, armazéns, empresas de serviços e novos investimentos.
A rodovia, entretanto, não produzirá resultados sozinha. O avanço no Paraguai aumenta a responsabilidade brasileira de preparar acessos, aduanas, serviços de fiscalização, segurança e estrutura urbana para receber o movimento projetado. Sem planejamento, parte dos benefícios poderá se perder em gargalos antigos.
A cada quilômetro asfaltado no Chaco, a Rota Bioceânica deixa de ser uma promessa desenhada nos mapas. A transformação da Picada 500 mostra que o corredor já está sendo construído. Para Mato Grosso do Sul, mais do que acompanhar a obra do outro lado da fronteira, é hora de se preparar para aproveitar a estrada que poderá redefinir seu futuro logístico e econômico.

