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Cidades

Ataque com fuzil que matou PM expõe fortalecimento de facções na fronteira

A porosidade entre MS e Bolívia facilita o contrabando de armas de grosso calibre

Por Aline dos Santos | 01/07/2026 13:08


RESUMO

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Um policial militar foi morto a tiros de fuzil durante uma perseguição em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, após um grupo criminoso tentar executar um traficante rival. O caso evidencia o aumento da ousadia do crime organizado na região, com acesso facilitado a armamentos militares contrabandeados. Um suspeito foi morto, outro preso e um terceiro segue foragido. A Sejusp afirmou que o estado tem plena capacidade de enfrentamento à criminalidade transfronteiriça.

A noite de faroeste em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, em que um grupo não conseguiu executar um “arrochador”, traficante que rouba carga de droga dos concorrentes, mas matou o policial militar Marcelo Pimenta com tiro de fuzil durante perseguição, mostra que o crime está cada vez mais ousado.

“A gente tem hoje uma situação de ousadia da criminalidade, bem armados e em condições de superar eventualmente em quantitativo numérico e quantidade de armamento as forças de segurança, os criminosos tornaram-se muitíssimo mais ousados”, afirma Vinícius Cavalcante, consultor em segurança.

O especialista afirma que, durante anos, a fronteira com a Bolívia também foi uma importante rota para a obtenção de explosivos, como dinamites, e destaca que, mais recentemente, houve um grande fluxo de armamentos militares de origem boliviana que abasteceu grupos criminosos, principalmente no Rio de Janeiro.

“Infelizmente, o que o confronto revela não é nada de novo. A facilidade de obtenção de armamento militar de procedência clandestina pela criminalidade hoje é muito grande, inclusive nas regiões de fronteira, onde eles podem ser contrabandeados com muito mais facilidade”, reforça Cavalcante.

Ataque com fuzil que matou PM expõe fortalecimento de facções na fronteira
Soldado Marcelo Pimenta da Silva durante serviço em Corumbá (Foto: Reprodução)

Após a morte do policial, circulou vídeo em que um homem, falando em tom de deboche e intimidação, exibe armas de grosso calibre enquanto cita Corumbá, Ladário e a Bolívia. Ele mostra ao menos um fuzil, menciona munição 5.56 e se refere às armas como “brinquedos”. Durante a fala, o criminoso afirma que o grupo estaria armado na região de fronteira e faz ameaças a rivais ou desafetos, dizendo que quem cruzasse o caminho deles seria atacado.

Crime – Na noite de terça-feira (dia 30), um grupo fez disparos contra uma casa em Ladário, que fica ao lado de Corumbá.

As imagens mostram três homens armados descendo de um Fiat Argo branco e disparando diversas vezes contra um imóvel na região do bairro Almirante Tamandaré. No vídeo, é possível ouvir ao menos 13 disparos. Após os tiros, os suspeitos retornam ao veículo e deixam o local. Ao fundo, pessoas que estavam em uma praça próxima correm ao perceber o ataque.

Conforme apurado pela reportagem, o alvo era um ‘’arrochador”, que já estava “decretado” pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Na sequência, durante perseguição nas ruas de Corumbá, o policial militar foi morto. Marcelo integrava o Getam (Grupo Especial Tático de Motocicletas).

Um dos suspeitos de envolvimento na morte do soldado morreu  em Corumbá. Outro homem foi preso, e um terceiro envolvido segue foragido.

O Campo Grande News questionou a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) sobre a capacidade de enfrentamento das forças de segurança na fronteira.

A resposta foi de que Mato Grosso do Sul tem plena capacidade de enfrentamento à criminalidade transfronteiriça. “Não por acaso é o estado que mais apreende drogas no Brasil, servindo como um grande escudo nacional. O Estado tem investido no incremento de pessoal, na qualificação profissional, no reaparelhamento das Forças de Segurança Pública e em tecnologia e inteligência. As polícias do Estado detêm armamentos e equipamento dos mais modernos do mundo”.

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