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Cidades

Canadense diz que agressões deram força para voltar e documentar vida indígena

Jornalista afirmou que violência não impedirá projeto e temeu ser morto por quem devia ‘servir e proteger’

Por Gabriela Couto | 08/12/2023 16:16
Rosto do jornalista canadense, Renaud Philippe, em foto preto e branco, com jogo de sombra e luz (Foto: Divulgação)
Rosto do jornalista canadense, Renaud Philippe, em foto preto e branco, com jogo de sombra e luz (Foto: Divulgação)

Jornalista canadense, Renaud Philippe, 39 anos deu uma entrevista a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) detalhando o medo que sentiu ao tentar exercer a profissão em Mato Grosso do Sul, durante gravação de um documentário sobre os povos Guarani-Kaiowá.

Alegando ter sido vítima de uma emboscada que culminou no ataque ao grupo que tentava registrar a realidade dos indígenas, o canadense destacou o medo que teve de quem deveria protegê-lo.

“Nunca estive tão preocupado com a minha segurança por parte daqueles que devem ‘servir e proteger’. Pelo contrário, foram os povos indígenas que nos ofereceram este espaço seguro. Não estamos diante de atos isolados, estamos diante de uma verdadeira organização que aproveita a falta de reconhecimento legal das terras indígenas para impor violentamente a sua agenda”, destacou.

Ranaud revelou que quando estava caído no chão, na lama, levando chutes, socos e tendo os cabelos arrancados, a companheira pediu socorro aos Policiais Militares que estavam presentes no local da agressão, mas eles desviaram o olhar.

Apesar de toda violência, ele revelou que não desistir do projeto. “Eles não nos impediram, pelo contrário, deram-nos mais força e determinação do que nunca. A violência não nos fará ceder. A onda de denúncias da realidade vivida pelos povos indígenas Guarani no Brasil e em outros lugares é gigantesca, mas temos o coração pesado ao constatar que um homem branco norte-americano deve ser vítima de tal acontecimento para que a mídia abra os olhos sobre estas realidades documentadas”.

O jornalista foi colocado pelo Ministério dos Direitos Humanos na lista dos “defensores dos direitos humanos”.   “Se este programa existe é porque existe uma ameaça real para quem envereda por este caminho, para evitar que desistam do seu compromisso”, ressaltou.

Relembre o caso - Equipe canadense foi vítima de ataque de no dia 21 de novembro, próximo à área de retomada da Fazenda Maringá, em Iguatemi, a 466 km de Campo grande.

Conforme os relatos, o grupo formado pelo casal do jornalista canadense Renaud Philippe, 39 anos, e da antropóloga brasileira Ana Carolina Mira Porto, 38 anos, e o engenheiro florestal Renato Farac Galata, 41 anos, desembarcou no Estado no último sábado (18) para realizar a captação de imagens para um documento sobre as comunidades indígenas.

Após visitarem os locais das filmagens e participarem da Assembleia Aty Guassu Guarani Kaiowá, eles foram surpreendidos por uma barreira com 30 caminhonetes em uma estrada vicinal.

O jornalista canadense contou que além dos chutes, socos, empurrões e puxões de cabelo sofridos pelos três, os agressores cortaram o cabelo dele, ameaçaram cortar o cabelo da antropóloga e roubaram todos os equipamentos de trabalho e documentos da equipe.

Levaram máquinas fotográficas, equipamentos cinematográficos, dois Iphones e demais instrumentos, além dos documentos pessoais e passaportes. O prejuízo calculado pela vítima é de pelo menos 20 mil dólares.

Vaquinha – Para retomar o trabalho, um amigo do jornalista abriu uma vaquinha virtual na internet para arrecadar fundos e ajudá-lo a pagar alguns de seus novos equipamentos de câmera para poder continuar seu trabalho no Brasil.

Interessado em fortalecer o trabalho de jornalismo independente do canadense pode clicar aqui.

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