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Cidades

Com Boulos, MTST lança braço em MS e mira regularização de ocupações

Ministro participou do ato em Campo Grande, que reuniu moradores de áreas não regularizadas

Por Gustavo Bonotto, Clara Farias e Mylena Fraiha | 17/09/2026 21:57
Com Boulos, MTST lança braço em MS e mira regularização de ocupações
Guilherme Boulos é uma das principais lideranças da esquerda no Brasil e ganhou projeção nacional como coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. (Foto: Clara Farias)

MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) lançou sua organização em Mato Grosso do Sul na noite desta quinta-feira (17), durante encontro em Campo Grande com Guilherme Boulos, coordenadores do grupo e moradores de comunidades. A estrutura local foi apresentada como uma frente para acompanhar demandas por moradia, regularização fundiária e acesso a serviços básicos. O evento marcou a entrada formal do movimento no Estado.

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O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) foi lançado oficialmente em Mato Grosso do Sul na quinta-feira (17), em Campo Grande, com a presença do coordenador Guilherme Boulos. O movimento pretende atuar em demandas por moradia e regularização fundiária no estado, reunindo moradores de comunidades locais, como a Lolita, formada em 2014, onde cerca de 60 famílias ainda aguardam regularização sem acesso a água e luz.

Boulos participou do lançamento durante passagem por Mato Grosso do Sul e destacou a expansão do MTST para o Estado. Em discurso, ele lembrou que o movimento se aproxima dos 30 anos de existência e citou a atuação em pautas habitacionais pelo País. “É uma honra, porque é uma luta coletiva. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto vai completar 30 anos”, afirmou.

A chegada a Mato Grosso do Sul ocorre com a participação de moradores que já se organizam em comunidades de Campo Grande. Uma delas é a Lolita, formada em 2014 entre o Indubrasil e o Polo Industrial, onde Heloisa Leguir Fernandes, de 40 anos, vive desde o ano seguinte. Segundo ela, cerca de 60 famílias permanecem no local e ainda buscam a regularização da área.

Heloisa afirma que parte das antigas barracas deu lugar a casas de alvenaria, mas os moradores ainda enfrentam problemas de infraestrutura. Ela coloca a permanência no local ou o acesso a outra moradia entre as principais reivindicações. “Se eles não regularizarem, que deem um sinal para a gente ou deem uma casa melhor para a gente, porque a gente não tem água nem luz aí”, disse.

A moradora contou que chegou à comunidade depois de deixar um acampamento rural. Sem casa, procurou outro lugar onde pudesse permanecer com a família. “Como o acampamento acabou, eu tinha que arrumar um lugar. Como eu vi que as pessoas estavam invadindo, eu também entrei junto. Eu luto por uma moradia”, relatou.

O coordenador nacional do MTST Clayton Veloso disse que representantes do movimento já passaram por comunidades da Capital antes do lançamento. Segundo ele, foram identificadas demandas relacionadas à regularização e à permanência das famílias nas áreas onde vivem. “A gente já sabe que tem uma comunidade aqui com risco de despejo, a gente sabe que tem várias comunidades aqui precisando da regularização fundiária”, afirmou.

Clayton também relacionou a atuação no movimento à própria experiência com moradia. Ele contou que perdeu a casa onde vivia em São Paulo (SP), em 2013, e passou a buscar informações sobre os direitos de famílias na mesma situação. “Eu queria entender o motivo de a Prefeitura ter derrubado a minha casa. Eu não sabia. E muitos aqui também não sabem”, disse.

Em Mato Grosso do Sul, Abílio Cesar Borges será um dos coordenadores do MTST. Durante o lançamento, ele afirmou que a organização pretende concentrar a atuação nas questões urbanas e na busca por moradia. “O povo se organiza e faz a luta por moradia, que é um direito constitucional. Assim como o direito à educação e o direito à saúde, a moradia é um direito”, declarou.

O encontro também teve a participação de moradores de áreas rurais. Argemiro Soares de Oliveira vive há 26 anos no PA Conquista, no km 16 da MS-080, na saída de Campo Grande para Rochedo, onde planta alimentos e cria animais. Ele afirmou que decidiu participar por considerar a organização coletiva importante para encaminhar demandas.

“A pessoa individual dificilmente vai conseguir arrumar alguma coisa. Então, nós temos feito alguma coisa, temos ganhado alguma coisa quando a gente se une para poder adquirir as coisas, ter direito a alguma coisa”, disse Argemiro.