PF apura trabalho escravo em fazenda de candidato e apreende 14 armas
Propriedade de Carlos Bernardo tinha 23 trabalhadores em situação irregular, segundo a investigação
Fazenda do empresário e candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil) entrou na mira da PF (Polícia Federal) e do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) nesta quinta-feira (17), em Porto Murtinho. No local, os agentes encontraram 23 trabalhadores em condições análogas à escravidão e apreenderam 14 armas de fogo de grosso calibre.
RESUMO
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A Polícia Federal e o Ministério do Trabalho encontraram 23 trabalhadores em condições análogas à escravidão e 14 armas de grosso calibre em uma fazenda pertencente ao candidato a deputado federal Carlos Bernardo, do União Brasil, em Porto Murtinho. A operação investiga trabalho ilegal e tráfico de pessoas. Bernardo, que declarou patrimônio de R$ 28,72 milhões, é dono da Universidade Central do Paraguai e disputa seu terceiro mandato consecutivo.
A operação investiga suspeitas de trabalho em situação ilegal e tráfico de pessoas para exploração da mão de obra. O Campo Grande News apurou que a propriedade pertence a Carlos Bernardo, dono da UCP (Universidade Central do Paraguai), que ficou conhecida pelo curso de Medicina mantido durante anos em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha a Ponta Porã.
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Conforme a PF, a investigação começou após denúncias de que trabalhadores estrangeiros eram recrutados informalmente e levados para a fazenda, onde ficariam em situação de vulnerabilidade. A força-tarefa apura falta de registro trabalhista, possível retenção de pagamentos e até restrições para que os trabalhadores deixassem a propriedade. A nacionalidade deles não foi divulgada.
Durante as buscas, os policiais também encontraram 14 armas de grosso calibre e munições. Parte do armamento estava com a numeração raspada, segundo a PF.
Imagens divulgadas pela Operação Sem Vínculo mostram várias armas longas, carregadores, cartuchos, munições e dinheiro em espécie espalhados no chão. A corporação não informou o valor das notas nem esclareceu se o dinheiro foi apreendido.
Também não foi divulgado quem seria o dono das armas, quem administrava a fazenda ou se houve alguma prisão.
Dono de rebanho milionário – Carlos Bernardo, de 60 anos, disputa uma vaga de deputado federal e declarou patrimônio de R$ 28,72 milhões à Justiça Eleitoral. A maior parte dessa fortuna está no campo.
Ele informou possuir 4.544 bois, avaliados em R$ 18,42 milhões. Entre os candidatos de Mato Grosso do Sul, é quem declarou o maior rebanho nestas eleições.
A lista de bens também inclui R$ 3 milhões em cotas da Bernardo Administração e Participações, um Porsche Cayenne avaliado em R$ 1,41 milhão, R$ 800 mil em cotas da KS Táxi Aéreo e R$ 500 mil guardados em dinheiro vivo.
Em perfil verificado nas redes sociais, Bernardo se apresenta como CEO do Monarca Group, empresário, pecuarista e gestor de empresas, com atuação no Brasil e no Paraguai.
Ele também é dono da UCP, que manteve seu maior campus em Pedro Juan Caballero. O curso de Medicina naquela unidade foi encerrado recentemente. No mesmo endereço, a graduação passou a ser oferecida pela Universidad Interamericana, também criada pelo empresário.
Esta é a terceira eleição seguida disputada por Bernardo. Ele concorreu a deputado federal em 2022, tentou a Prefeitura de Ponta Porã em 2024 e agora busca novamente uma cadeira na Câmara dos Deputados.
A candidatura dele também recebeu um pedido de impugnação da PRE-MS (Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), por causa de uma condenação envolvendo doação eleitoral acima do limite permitido em 2020.
A reportagem fez contato com Carlos Bernardo via WhatsApp e aguarda retorno. O espaço segue aberto para futuras manifestações.



