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Cidades

Com crueldade, áudios mostram que "Damas do Crime" participavam de júri do PCC

Mulheres desenvolveram núcleo independente dentro do PCC no País

Por Silvia Frias | 28/07/2020 13:31
Imagem divulgada pelo MP de Alagoas durante coletiva da Operação Flashback: a nova gestão do PCC (Foto/Divulgação)
Imagem divulgada pelo MP de Alagoas durante coletiva da Operação Flashback: a nova gestão do PCC (Foto/Divulgação)

Dos 23 alvos da Operação Flashback II em Mato Grosso do Sul, 19 são de pessoas já presas no sistema penitenciário do Estado. A ação, comandada pelo MP (Ministério Público) de Alagoas teve como principal objetivo desarticular o novo núcleo de comando do PCC (Primeiro Comando da Capital), liderado pelas “Damas do Crime”.

Entre as atribuições, participação no confronto com facções rivais e nos julgamentos para disciplinar comandados, os temíveis "Tribunais do Crime".

A operação envolveu forças policias de Mato Grosso do Sul e outros dez estados (Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Ceará, Bahia, Paraíba, Piauí, Paraná, São Paulo e Minas Gerais).

Mato Grosso do Sul é citado como “estado principal da organização”, sendo “prezado” pela facção pelo número de lideranças que atuam e/ou estão presos no Estado. A operação ainda não detalhou a atuação das mulheres no Estado dentro do PCC. Os mandados foram cumpridos como apoio da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

No total, foram expedidos 216 mandados, entre eles busca, apreensão e prisão, distribuídos em 71 municípios, localizados em quatro regiões brasileiras. Até agora, segundo dados parciais divulgados em coletiva do MP em Maceió, 65 mandados de prisão foram cumpridos em todo o Brasil.

O major Henrique Jatobá, subcomandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais) de Alagoas, falou sobre a investigação que desencadeou na Operação Flashback II e em três desdobramentos: a Damas do Crime, do Gaeco (Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas ), a Njord, da PF (Polícia Federal) e a Retomada, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas.

Todas, com objetivo em comum: desarticular criminosos envolvidos com o PCC. Jatobá cita Mato Grosso do Sul como “estado principal da organização”, em que os integrantes da facção “prezam muito por ele” pelo número de lideranças em atividade, muitas, dentro do presídio.

Polícia cumpre mandados da Operação Flashback em Maceió (Foto/Divulgação)
Polícia cumpre mandados da Operação Flashback em Maceió (Foto/Divulgação)

É justamente a prisão dos líderes da facção que desencadeou a mudança no organograma do PCC. Jabotá cita a rebelião de 2006, em São Paulo, com a prisão de importantes lideranças da facção. A partir daí, as mulheres, principalmente as companheiras, são usadas para envio de mensagens para comandados ou para levar drogas e celulares para dentro dos presídios.

“Com o passar dos anos, a facção resolveu "batizar" mulheres com as mesmas funções dos homens”, disse o subcomandante.

O delegado Gustavo Henrique, coordenador da Deic (Divisão de Especial de Investigação e Captura), diz que são “núcleos harmônicos, mas independentes” e que as mulheres atingiram altos cargos na facção, com a mesma responsabilidade e frieza dos antecessores.

“Os áudios demonstram grau de violência e insensibilidade dessas sujeitas, dessas indivíduas”

Segundo o delegado, “o núcleo delas é igual ao masculino, toda hierarquia, o mesmo poder de decisão, de determinar execuções”. Entre as atribuições, participação na articulação no confronto com facções rivais e nos julgamentos para disciplinar comandados, os temíveis "Tribunais do Crime".


Áudio divulgado durante a coletiva mostra o relato de uma das mulheres sobre a morte de um dos julgados pela facção no "Tribunal do Crime". Em outro, uma mulher e um homem conversam sobre lista de mortes que devem ser realizadas em vários estados do País. Em Mato Grosso do Sul, são pelos menos dois homicídios que devem ser executados.

Dos 216 mandados expedidos pela 17ª Vara Criminal de Alagoas, 39 tem como alvo mulheres integrantes da facção. Somente naquele estado, foram 18 mulheres e 1 homem que teriam sido responsáveis por 4 homicídios. Do restante, não foram divulgados os Estados de origem delas.

A primeira fase da Operação Flashback teve investigação iniciada em abril de 2019, culminando no cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão em novembro daquele ano.

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