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Cidades

Com fronteira fechada, bolivianos que moram em Corumbá vão às urnas

Enquanto alguns votam em consulado em Corumbá, outros atravessam a linha internacional à pé e vão para as cidades vizinhas

Por Nyelder Rodrigues | 18/10/2020 12:20
Fila na entrada do Consulado, em Corumbá (Foto: Leonardo Cabral/Diário Corumbaense)
Fila na entrada do Consulado, em Corumbá (Foto: Leonardo Cabral/Diário Corumbaense)

Fronteira fechada, tráfego impedido e grande fluxo de pessoas à pé. O dia amanheceu diferente do que corriqueiramente acontece na fronteira entre Brasil e Bolívia, em Corumbá - cidade localizada a 418 km de Campo Grande. Este domingo (18) é dia de eleições gerais em solo boliviano, a primeira sem a participação de Evo Morales.

Após longo período à frente do país, o presidente foi alvo de inúmeras acusações de corrupção e em 2019 acabou renunciando, pressionado após reeleição, e fugiu para o México. Hoje, ele se encontra exilado na Argentina. Tal situação gera turbulências na Bolívia, principalmente na capital, La Paz.

De acordo com informações do jornal Diário Corumbaense, na Linha Internacional apesar do trânsito fechado e da fronteira bloqueada, há um fluxo intenso de bolivianos que moram no Brasil mas votam nas cidades fronteiriças, como Arroyo Concepcíon, Puerto Suárez e Puerto Quijarro. Todos só conseguem passar pelo local à pé.

Hoje a votação é para definir o futuro presidente do país andino, vice-presidente, deputados e senadores, que devem ser escolhidos por 7.332.925 de bolivianos aptos ao voto. Contudo, nem todos vão precisar atravessar à pé a fronteira, já que 210 deles tem permissão para votar na sede do consulado em Corumbá.

"Depois das últimas eleições conturbadas, assim, como foram os últimos meses para a nossa querida Bolívia, muitas famílias sofreram, esse momento é importante, pois vamos eleger os nossos representantes. Fiz questão de estar aqui para exercer meu papel de cidadã e ajudar meu país a se levantar", comenta Viviane Flores ao Diário Corumbaense.

Homens do Exército boliviano patrulhando a fronteira, que está fechada (Foto: Diário Corumbaense)
Homens do Exército boliviano patrulhando a fronteira, que está fechada (Foto: Diário Corumbaense)

Também ao jornal local, Yolanda Severiche foi votar com esperança de mudança e de melhora para o seu país. "Tenho família lá e penso também na população em geral que tanto sofreu nesses últimos meses e ainda mais depois das eleições passadas, que foram canceladas".

Do outro lado - Mas há também quem ainda opte a ir votar em solo boliviano, como é o caso de Jenaine Ulloa Vespa, que apesar de morar em Corumbá foi até Puerto Quijarro. "É uma escolha minha atravessar a fronteira e votar na Bolívia. Estou aqui para ajudar a eleger os nossos representantes", destaca.

Ela também comenta que torce para que os eleitos possam governar e fazer uma Bolívia mais justa para seu povo. "Estamos vivendo um momento histórico e importante", completa ela para a reportagem do Diário Corumbaense.

Ao todo, oito candidatos se postularam ao cargo de presidente na Bolívia, contudo três deles desistiram, inclusive a atual presidente, Jeanine Añez. Os cinco que sobraram são Luis Arce (Movimiento Al Socialismo), Carlos Mesa (Comunidad Ciudadana), Luis Fernando Camacho (Creemos), Chi Hyun Chung (FPV) e Feliciano Mamani (PAN-Bol).

O candidato que conseguir 50% dos eleitores mais um voto ou 40% mais 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo é o vencedor. A votação é dividida em horários, sendo os eleitores com identidade com final de 1 a 4 permitidos ir às urnas das 8h às 12h30. Já os que possuem documento com final de 5 a 9 votam à tarde, das 12h30 às 17h.

Consulado da Bolívia em Corumbá ficou apto a receber 210 eleitores que moram no Brasil (Foto: Diário Corumbaense/Leonardo Cabral)
Consulado da Bolívia em Corumbá ficou apto a receber 210 eleitores que moram no Brasil (Foto: Diário Corumbaense/Leonardo Cabral)


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