Do descarte à transformação, em MS apreensões viram sabão, adubo e álcool gel
Parceria entre RF e Uems reaproveita alimentos e produtos avaliados em R$ 340 mil e reduz impacto ambiental

O que antes teria como destino o lixo agora ganha nova vida em Mato Grosso do Sul. Em uma iniciativa que mistura fiscalização, ciência e sustentabilidade, a Receita Federal do Brasil e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul transformam alimentos perecíveis apreendidos em produtos úteis — e ambientalmente responsáveis.
RESUMO
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Receita Federal e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul transformam alimentos apreendidos em produtos úteis. Erva-mate e chás viram adubo, azeite se converte em sabão e bebidas alcoólicas tornam-se álcool gel. Os produtos reaproveitados estão avaliados em R$ 340 mil e antes seriam descartados. A iniciativa fortalece a economia circular e integra poder público e academia na busca por soluções sustentáveis.
São dezenas de caixas com itens variados, como erva-mate, chás, doces, chocolates, azeite de oliva, sucos, refrigerantes e até bebidas alcoólicas. Todos classificados como impróprios para consumo humano, esses produtos passam por triagem antes de seguirem para um novo ciclo.
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Na prática, o que seria desperdício vira solução. A erva-mate e os chás são destinados à compostagem e transformados em adubo orgânico. O azeite de oliva se converte em sabão. Já as bebidas alcoólicas ganham nova função como álcool gel — produto essencial no dia a dia e de alto valor social.
A mudança de rota substitui a destruição convencional por um modelo mais inteligente. “Esses materiais passam a ter destinação ambientalmente adequada, alinhada às boas práticas de gestão ambiental”, explica o delegado da Receita Federal em Campo Grande, Zumilson Custódio da Silva.

Além de reduzir o impacto ambiental, a iniciativa também fortalece a economia circular — conceito que propõe o reaproveitamento contínuo de recursos. Segundo a Receita, os produtos reaproveitados estão avaliados em cerca de R$ 340 mil, valor que deixa de alimentar o mercado irregular e ganha utilidade social.
Para a universidade, o projeto vai além do reaproveitamento. É também um laboratório vivo de inovação. “A ação reforça a integração entre o poder público e a comunidade acadêmica na busca por soluções sustentáveis”, destaca o professor Leandro Marciano Marra, da unidade da UEMS em Mundo Novo.
Histórico
A parceria não é inédita. Em 2025, uma ação semelhante já havia dado novo destino a mais de 14 mil pares de calçados apreendidos. Após descaracterização das marcas, os itens foram distribuídos a estudantes em situação de vulnerabilidade, entidades assistenciais e projetos sociais.
Agora, com alimentos e bebidas ganhando nova utilidade, o ciclo se repete — e se aprimora. No lugar do descarte, a transformação. No lugar do prejuízo ambiental, uma cadeia que reaproveita, reduz resíduos e devolve valor à sociedade.

