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Cidades

Em MS, quatro recém-nascidos também estão em leitos de UTI com covid-19

Ao todo, são sete internados entre 0 a 9 anos, e além de quatro em UTI, outras três estão e estão em leitos clínicos

Por Lucia Morel | 30/07/2020 08:35
São quatro crianças internadas em UTI e três em leitos clínicos. (Foto: Reprodução SES)
São quatro crianças internadas em UTI e três em leitos clínicos. (Foto: Reprodução SES)

Já são 702 crianças de 0 a 9 anos com teste positivo de covid-19 em Mato Grosso do Sul. Como na maioria das vezes não apresentam sintomas, esse número preocupava apenas por que elas são transmissoras silenciosas da doença. Mas os primeiros casos de internação começaram, mesmo com esse público sendo o menos atingido em relação a sintomas e gravidade da doença. Quatro estão em UTIs (Unidade de Terapia Intensiva), todas recém-nascidas.

Ao todo, são sete internados na faixa etária de 0 a 9 anos, e além das 4 em UTI, outras três crianças são suspeitas do novo coronavírus e estão internadas em leitos clínicos, conforme dados do boletim diário da SES (Secretaria de Estado de Saúde).

Conforme a secretaria, um dos casos em UTI é de um menino de 28 dias que testou positivo para a doença em 24 de julho. Os outros três não foram informados até o fechamento desse material.

Dos casos suspeitos, duas são meninas, sendo uma recém-nascida e outra de 2 anos de idade, com exames colhidos em 28 e 25 de julho, respectivamente e cujo resultado ainda não saiu. Uma delas, a recém-nascida, tem mãe positiva para o novo coronavírus. Os detalhes do terceiro caso não foram informados.

Vale ressaltar que todos os três casos informados pela Secretaria de Estado de Saúde são de crianças internadas no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.

Em nenhum dos casos, conforme a SES, há cormobidades. Segundo o pediatra Alberto Jorge Félix Costa, apesar das crianças, em sua grande maioria, não desenvolverem formas graves de covid-19, aquelas com doenças prévias – diabetes ou obesidade, por exemplo - podem sim ter o quadro agravado.

“As cormobidades aumentam as possibilidades de uma covid com maiores repercussões. Mas o sinal de alerta mesmo é se a criança se mostrar apática, febre constante ou deficiência respiratória”, afirma.

Internações até ontem. (Fonte: SES)
Internações até ontem. (Fonte: SES)

No caso dos recém-nascidos, ele explica que “por si só, eles têm uma deficiência imunológica inerente à idade”, o que explica a necessidade de UTI, dependendo das condições de peso e saúde com que a criança nasceu. “Eles são mais vulneráveis imunologicamente. Quanto menor, mais vulnerável”, explica.

Para ele, “embora o quadro entre as crianças seja bem benigno, algumas podem evoluir para estado grave, com insuficiência respiratória, pneumonia e diminuição de oxigênio, e precisando de UTI com ventilação e tudo mais. É uma incidência muito menor, mas pode acontecer”, pondera.

Segundo o especialista, maior parte das crianças que contraem covid, ou tem pouquíssimos sintomas ou nenhum, mas podem transmitir a doença. Por isso, ele alerta que o cuidado é sempre o mesmo: isolamento e higienização constante das mãos.

“Os sintomas mais comuns são coriza e tosse, daí faz exame, dá positivo, mas a criança é praticamente assintomática. Mas o grande problema é que a criança pode passar a doença para os pais, avós”.

Incidência de casos positivos entre crianças de 0 a 9 anos em MS. (Fonte: SES)
Incidência de casos positivos entre crianças de 0 a 9 anos em MS. (Fonte: SES)

Números – Dados da SES são de que 702 crianças entre 0 e 9 já contraíram o novo coronavírus em Mato Grosso do Sul, sendo 346 meninos e 356 meninas. De todas, 497 estão curadas, uma apresenta problemas cardíacos, uma diabetes, seis têm asma, uma hipertensão e duas têm imunidade frágil. Nenhum óbito nessa faixa etária foi registrado. Há ainda 29 crianças de 0 a 9 anos cujos casos estão sendo investigados.

Com relação aos sintomas, grande maioria é assintomática, mas houve casos de quem apresentou febre, tosse, dor de garganta e até dificuldade respiratória. Vale ressaltar que maioria dos casos – 93 dos 702 – ocorreram em Campo Grande, mas em taxa de incidência, ou seja, a relação entre número de casos e tamanho da população, maior concentração de casos é em Bataguassu.