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Cidades

Exame toxicológico para todos pode barrar 30% dos candidatos à 1ª CNH

Estimativa é baseada em dados da Fiocruz, da Senad e do programa SOS Estradas

Por Cassia Modena | 07/01/2026 12:23
Exame toxicológico para todos pode barrar 30% dos candidatos à 1ª CNH
Modelo de Carteira Nacional de Habilitação para condutores de Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Detran-MS)

O exame toxicológico, que detecta o uso de substâncias ilícitas, passou a ser obrigatório para todos os candidatos à primeira CNH (Carteira Nacional de Habilitação) em dezembro do ano passado. Antes, ele era exigido apenas de quem buscava autorização para dirigir veículos nas categorias C, D e E (vans maiores, caminhões e ônibus).

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O exame toxicológico tornou-se obrigatório para todos os candidatos à primeira CNH desde dezembro de 2023, não mais restrito apenas às categorias C, D e E. Segundo estimativas da Fiocruz e da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, cerca de 30% dos candidatos podem ser barrados devido ao histórico de uso de substâncias ilícitas. Com aproximadamente três milhões de Permissões Provisórias para Dirigir emitidas anualmente, entre 390 mil e 870 mil usuários de drogas obtinham a primeira habilitação. O exame detecta diversas substâncias, incluindo anfetaminas, canabinoides e derivados de cocaína, sendo que medicamentos controlados com prescrição médica devem ser previamente informados ao laboratório.

Com isso, cerca de 30% dos candidatos poderão ser barrados, conforme estimativa divulgada pelo Jornal do Carro, do Estadão, nesta quarta-feira (7). Hoje, em Campo Grande, um teste do tipo custa em média R$ 140 nos laboratórios particulares e fica pronto em sete dias úteis.

O dado sobre possível reprovação é baseado em números da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) e da Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), que indicam que cerca de 13% dos jovens entre 14 e 17 anos já fizeram uso de drogas e que 29% dos jovens entre 18 e 24 anos têm histórico de consumo.

Publicação do SOS Estradas, que produz informação e realiza ações para evitar tragédias no trânsito, reforça que é razoável estimar que o exame toxicológico possa impedir 13% a 29% dos candidatos de tirar a primeira carteira.

A emissão anual é de aproximadamente três milhões de PPDs (Permissões Provisórias para Dirigir), isso significa que entre 390 mil (13%) e 870 mil (29%) usuários de drogas, eventuais ou frequentes, estavam tirando a primeira habilitação todos os anos.

As sustâncias que podem ser detectadas pelo exame toxicológico são:

  • Anfetaminas, como Metanfetamina, MDA (Metilenodioxianfetamina), MDMA (Metilenodioxianfetamina ou Ecstasy/Molly), Anfepramona e Femproporex;
  • Mazindol, supressor de apetite;
  • Canabinoides, ou maconha e seus derivados, como THC e THC-COOH (Carboxy-THC);
  • Derivados da Cocaína, como Benzoilecgonina, Cocaetileno e Norcocaína;
  • Derivados do ópio, como Morfina, Codeína e Heroína.

É possível que medicamentos prescritos, como alguns analgésicos opioides (medicamentos derivados do ópio), benzodiazepínicos (por exemplo, diazepam) e estimulantes (por exemplo, ritalina), sejam identificados e constem nos resultados. É importante avisar previamente o laboratório sobre o uso de qualquer medicação controlada e apresentar a prescrição médica.

Em vigor desde 2016, a exigência do toxicológico para as categorias C, D e E provocou queda significativa na detecção de drogas entre condutores, conforme demonstrou pesquisa do MPT (Ministério Público do Trabalho) e TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Mato Grosso do Sul em 2019: o percentual de positivos caiu de 34% em 2015, para 13,9% em 2019.


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