Golpistas ligavam para idosos em até 48 horas após contratação de empréstimo
Pelo menos 100 vítimas de MS, Goiás e estados do Nordeste perderam valores que haviam sido depositados

Em até 48 horas depois de contratar empréstimos consignados junto a instituições financeiras, cerca de 100 idosos perderam parte ou tudo que emprestaram, sem nem ter tempo de usufruir do valor. Era dessa forma que a quadrilha formada por três mulheres e um homem agia até ontem, quando foi presa na Operação Crédito Fantasma, do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
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O grupo foi preso em São Paulo, sendo dois integrantes na capital, um em Campinas (SP) e outro em Guarulhos (SP). A ação, da 10ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, junto com a UICC/CI-MPMS (Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos do Centro de Pesquisa, Análise, Difusão e Segurança da Informação), contou com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de São Paulo.
O promotor Felipe Almeida Marques, da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos do MPMS, contou que a investigação começou há cerca de um ano, quando um idoso formalizou uma denúncia de golpe na Promotoria do Idoso, a 44ª. Nela, a vítima contava que contraiu empréstimo e dias depois recebeu uma ligação em que pessoa que se passava por funcionário da instituição oferecia taxas mais atrativas para a negociação.
“Entre 24 e 48 horas depois que os idosos formalizaram o empréstimo e recebiam os valores, os golpistas ligavam ou mandavam mensagem oferecendo novas taxas e melhorias no contrato. Nisso, pediam que a vítima transferisse o valor da primeira parcela a ser paga para que fosse possível alterar o contrato que havia sido assinado”, explicou.
E isso ocorreu até com idosos dependentes do salário mínimo pago pelo BPC (Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica de Assistência Social). Conforme o promotor, os golpistas fizeram vítimas em vários estados, não apenas em Mato Grosso do Sul, e a estimativa é de 100 vítimas em MS, Goiás e estados do Nordeste do Brasil. “Em uma das ações, a quadrilha fez R$ 150 mil em 48 horas”, contou.

A apuração da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos chegou ao montante de R$ 2,3 milhões movimentados pelo grupo durante os 12 meses de investigação, “mas há mais”, disse Marques, reforçando que a atuação agora será de reaver os valores e conseguir devolvê-los aos idosos. Os quatro presos permanecerão em São Paulo.
Sobre como os bandidos conseguiam os dados das vítimas, o promotor explica que o acesso muitas vezes está disponível na “dark web”, mas que informações de redes sociais também auxiliam os golpistas. Nisso, ele alerta que é preciso ter cautela e cuidado com o que se divulga sobre si na internet e afirma que, nesses casos, a instituição financeira acaba também sendo vítima.
A denúncia contra o grupo deve ser entregue ao Poder Judiciário em 15 dias e ele vai responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de capitais. Marques alerta ainda sobre a necessidade de checar informações e sempre desconfiar de ligações e contatos relacionados a questões financeiras.
A cautela aumenta se, através desse contato, a pessoa do outro lado da linha pedir transferência de valores, estorno ou depósito em qualquer conta. “Instituições financeiras legítimas nunca solicitam transferências para terceiros como condição para cancelamento ou regularização de contratos”, define comunicado do MPMS.
Denúncias de crimes cibernéticos podem ser realizadas pela Ouvidoria do MPMS aqui.
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