Profissões flexíveis também pedem uma imagem estratégica
A informalidade não pode virar descuido. Quando a roupa é livre, o bom senso precisa ser o seu dress code.
Enquanto médicos e advogados têm códigos de vestimenta mais claros (inclusive foi o tema das duas últimas colunas) e um pouco mais rígidos, outras profissões permitem mais liberdade na hora de escolher o que vestir. E isso pode ser uma vantagem, mas também uma armadilha.
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Quando não existe uniforme ou um dress code definido, é comum pensar que “qualquer coisa serve”. Não serve. A roupa continua comunicando, mesmo quando não existe uma regra explícita sobre ela. E, quanto mais flexível é a profissão, mais importante se torna entender o que a sua imagem precisa dizer.
Psicólogos, professores, engenheiros, arquitetos, designers, jornalistas, publicitários, terapeutas, consultores, profissionais de tecnologia, vendedores e tantos outros podem construir imagens completamente diferentes entre si, e todas podem estar corretas.
Um psicólogo, por exemplo, precisa transmitir segurança e profissionalismo, mas também acessibilidade e acolhimento. Uma roupa excessivamente formal, rígida ou distante, como por exemplo um conjunto de calça social e blazer na cor preta, pode criar o efeito contrário ao desejado. Já um arquiteto pode se beneficiar de uma imagem mais autoral e contemporânea. Um professor pode transmitir credibilidade sem parecer inacessível. Um publicitário pode ter mais liberdade para ousar. A calça jeans aqui, sem rasgos ou enfeites, pode se tornar um coringa.
Percebe como não existe uma única “roupa profissional”? Existe a roupa profissional adequada à mensagem, ao ambiente e ao público de cada profissão.
E é justamente aí que aparecem alguns sabotadores de imagem. São escolhas que parecem pequenas, mas podem fazer o profissional parecer desleixado, excessivamente informal, antiquado ou transmitir uma mensagem completamente diferente daquela que gostaria.
7 sabotadores de imagem nas profissões flexíveis
1. Roupa amassada ou desgastada
Você não precisa estar de terno para parecer profissional. Mas a roupa precisa estar bem cuidada. Peças muito amassadas, desbotadas, com bolinhas ou fios puxados passam uma mensagem de desleixo.
2. Sapatos sujos ou desgastados
O sapato pode ser informal, colorido ou até um tênis. O problema é quando está sujo, descascando ou visivelmente malcuidado. Não é sobre preço: é sobre conservação.
3. Unhas descascadas ou malcuidadas
As mãos aparecem muito na comunicação. Esmalte descascado, unhas excessivamente compridas ou com aspecto de descuido podem comprometer uma imagem que, no restante, está impecável.
4. Cabelos despenteados ou sujos
O cabelo não precisa estar escovado ou perfeitamente arrumado. Precisa parecer intencional. Existe uma grande diferença entre um visual descontraído e um visual simplesmente desleixado.
5. Barba por fazer, quando não é uma escolha de estilo
Barba por fazer pode ser estética. O problema é quando parece apenas falta de tempo para se cuidar. Se a proposta é usar barba, mantê-la aparada e coerente com o rosto e o estilo faz diferença.
6. Informalidade demais
Trabalhar em uma profissão flexível não significa vestir-se como se estivesse em casa. Calça jeans rasgada, chinelo, sapatos tipo crocs, camiseta muito surrada, moletom, bermuda ou roupas excessivamente esportivas podem diminuir a percepção de profissionalismo, dependendo do ambiente e do público.
7. Excesso de informação
Muitos acessórios, estampas, cores, logos, tendências e elementos chamativos podem fazer a roupa falar mais alto do que o profissional. Sua imagem deve chamar atenção para você, e não disputar atenção com você.
No fim, a regra é simples: você não precisa parecer formal para parecer profissional. Precisa parecer cuidado, coerente e adequado ao contexto. Quando a roupa é livre, o bom senso precisa ser o seu dress code.
(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.

